Três coisas me foram tomadas!



Há muito tempo um homem tomou algo que era meu. Não, eu não quis tomar qualquer atitude contrária a tal ação, ainda que ela me causasse revolta. Não posso admitir que um inocente seja prejudicado por causa de um “desgraçado”, egocêntrico, mas o que eu poderia ter feito? Ele era mais poderoso do que eu!

Na verdade, ele me tomou três coisas pesadas. Uma era preciosa, me restaurava a alma e muito me alegrava o coração. Era importante, pois me dava sabedoria. Contudo, seu peso, devido ao seu grande valor, me impossibilitou de correr sozinho, para não ter de entregar a este homem, mas ele a tomou de mim. Tenho de reconhecer, ele usou melhor do que eu faria.

A segunda coisa pesada era de madeira. Entalhada especialmente para alguém como eu, tal homem não quis nem saber, tomou! Até que ele conseguiu usar tal obra de marceneiro, inda que tivesse sido feita sob medida para mim. Ele mostrou-se forte para levá-la até seu objetivo final e, tenho de admitir, eu mesmo não teria forças para tanto, tão pouco usaria de modo adequado.

O terceiro peso que tal homem, com habilidade, me tomou tinha a ver com relacionamento. Havia algo entre mim e meu Pai, que este homem veio e tirou. Nunca pensei que alguém poderia afetar deste modo a relação entre duas pessoas, mas esse homem o fez – e o fez para sempre! As coisas entre mim e meu Pai nunca mais foram as mesmas. Tudo mudou de um modo que eu não conseguiria fazer igual.

Agora, pergunto a vocês: como não ficar revoltado com uma situação dessas? Como não me revoltar com um homem que vem toma tudo isso de mim. Meu Senhor Jesus veio e me tirou todo o peso da lei. Inda que ela fosse tão preciosa, eu não conseguiria obedecê-la de modo a cumprir perfeitamente, como meu perfeito Pai o desejava. Mesmo eu, sendo esse “desgraçado” egocêntrico, fui ajudado pelo meu Jesus.

O pior de tudo, é que a obediência de meu Senhor o levou até à morte e morte de cruz. Essa obra de madeira era para mim, mas ele a carregou e a suportou de um modo que eu jamais conseguiria fazer; e o mais impressionante é que ele carregou uma cruz que não só tinha o peso que era para mim, mas de todos aqueles que nele crê. Meu Senhor ficou ferido e marcado, humilhado e considerado entre os malfeitores, mesmo inocente; a mim restou a simples tarefa de crer, pois já não há mais cruz a ser carregada.

Eu é que tinha de ter levado aquela cruz e ter sentido o terceiro peso: a ira de Deus. De tão pesado que foi, meu Redentor sentiu-se abandonado, quase que sufocado em dores. O Pai estava lá, mas as pisaduras que eram para ser minhas, e de tantos outros, estavam sobre ele. Mas ele mostrou-se forte o suficiente, para orar por aqueles que o trucidavam. Se fosse eu, deixaria que o ódio me dominasse, afinal: - “já vou morrer mesmo”. Mas ele não, serenamente, após salvar mais um na mesma situação que ele, entregou seu espírito ao Pai. Toda aquela ira vinda do próprio Pai sobre ele era para mim e ele a tomou! Hoje, tenho paz com Deus.

Agora, sem mais peso a ser levado, ando leve. A lei não mais é meu caminho, pois o Redentor o é. Ela é a o padrão, um prumo que olho para saber se estou, pelo menos, na direção que agrada ao Pai. A cruz já satisfez o Pai em toda a sua vontade por sangue pelo pecado cometido. A ira foi totalmente desviada de sobre mim.

Tudo isso me revolta! Meu inocente Senhor teve de levar o que era meu, mas não vou discutir, ele tem poder para tanto, eu seria aniquilado. O que para mim seria opróbrio, para ele foi a demonstração de poder mais profunda que o universo já viu: um único homem carregar sobre si o peso da ira que era de todos os crentes, para morrer e ressuscitar ao terceiro dia. Glórias ao nome que é sobre todos os nomes, a este homem, que três coisas me tomou!

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