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Quando o palhaço chora e a professora rebola

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O Brasil sempre foi um país de contrastes, mas o último, creio eu, até Satanás saiu corado. Vimos o Tiririca, com nó na garganta, despedir-se da vida de parlamentar e, enquanto isso, uma professora se agacha até o chão, lembrando os limites da coreografia sensual de É o Tchan, para demonstrar como colocar uma camisinha com sexo oral. Tiririca chora um país sem educação, sem hospital e a falta de políticos que se dediquem a resolver isso. Ele lamentou a pouca produção para tanto trabalho e dinheiro investido. Lamentou que a casa parlamentar deste país não trabalha pelo povo. A professora, enquanto nosso país caminha mau das pernas, demonstrou estar bem das suas. Foi até o chão – “chão, chão, chãochãochão” – e usa um aluno para desferir um golpe certeiro na moralidade e nos limites da educação. Fico me perguntando: vamos rir do palhaço que chora? Vamos chorar pela professora que foi submetida a mais essa coisificação da mulher? Vamos todos usar a hashtag “somos todos professora boqueteir…

Em nome dos Pais

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“Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.” (Ex 20.12) Os mandamentos bíblicos estão cada vez menos em cena. Especialmente este é ignorado com tamanha frequência, que poderia dizer que nossos jovens estão morrendo e a sociedade padece com tanta violência por não se honrar mais pai e mãe. Ler o livro do Matheus foi ver um filho honrando a seus pais. Na leitura você descobre que o passado de seus pais tem um peso tão grande na vida de Matheus, que toda a sua história tem a ver com o livro. Em suas páginas, percebemos que as mazelas causadas pela ditadura a seus pais o afetaram diretamente. Interessante que, olhando para trás, percebo o motivo para algumas coisas. Matheus e eu estudamos juntos no segundo grau no Objetivo da 913sul, em Brasília. Naquele tempo, ele era um jovem introspectivo, ainda que muito sociável e companheiro. Perdi as contas das caronas que me deu, ainda que eu lembre uma em especial quando, numa noite chuvosa,…

Pecado, queda e natureza

A realidade do pecado é dura e cruel. Todos nós somos afetados pelo desejo e pela realização do desejo de fazer o que é errado. Tal situação de vida deve-se a tentativa do homem de transpor os limites impostos por Deus. Conforme Gênesis 3 nos informa, mesmo após ter recebido a ordem de não comer da árvore do conhecimento, Adão desobedeceu e foi expulso do paraíso, passando a experimentar uma nova realidade de vida. Lembrando bem da narrativa, vemos fatos muito interessantes e pertinentes para o entendimento de nossa situação diante de Deus e das coisas. Adão fora criado por Deus para servi-lo sendo seu representante na terra. Sua tarefa era obedecer a Deus em seu mandato de como deveria ser seu relacionamento com as coisas (dominar, cultivar e guardar: Gn 1.28, 2.15), com o próximo (multiplicar, deixar pai e mãe e formar uma só carne: Gn 1.28, 2.24) e com o próprio Deus (obedecendo aos outros mandatos e não comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal: Gn 2.17). Agindo desta for…

Os termos não vêm dos termos

Vern Poythress escreveu um livro sobre a validade da multiplicidade de perspectivas – é o must! De forma sucinta ele lida com questões da linguagem e demonstra como esta revela que há uma perspectiva, tendo em vista que os termos são utilizados pelo que os utiliza a partir de seu entendimento ou arcabouço de significado. Segundo ele, há uma grande dificuldade na definição de termos, pois, em regra, eles não têm apenas um significado e, na teologia, a dificuldade vem do fato de que nenhum termo da sistemática equivale ao termo bíblico.[1] O fato é que os termos são utilizados de modo elástico nas Escrituras e de modo estrito na Sistemática. A Bíblia estabelece o sentido do termo pelo contexto, a Sistemática tem o objetivo de reproduzir um grande conteúdo com um termo. A coisa piora, ao meu ver, quando tentamos abarcar a terminologia extrabíblica, querendo enxergar conceitos e pressupostos na Escritura, advindos da filosofia, psicologia, história, sociologia e por ai vai. Um belo exemplo …

Mundo hostil

O Senhor havia prometido ao homem que sua vida, a partir do pecado, seria penosa. O ambiente acolhedor e provedor, na verdade, era fruto da bondade provedora divina. Ele não habitava o Éden, de fato, mas em Deus. Seu refúgio existencial era o Criador, e a expressão dessa habitação era o Éden: cheio da providência, bondade e abundância. O homem, contudo, decidiu sair deste abrigo e passaria a habitar um ambiente hostil, cheio de dores, dúvidas e, o pior, distante do Criador. O homem está desabrigado. Jogado ao relento da vida, vê sua relação com Deus ser intermediada por ofertas (Gn 4.3-7) e o pecado se multiplicar. É a promessa divina se cumprindo (Gn 2.17) e o homem, experimentando os efeitos da morte espiritual, vê a hostilidade do ambiente, o trabalho numa terra caída, afetada de modo que representa a forma da relação da criatura com seu Criador. O homem passa a habitar[1] em ídolos, refugiar-se longe de seu Senhor. Passa a ver deuses no ambiente e a amar os produtos desse ambiente, …

Materialismo e evangelicalismo brasileiro, o problema não é só dinheiro