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Pecado, queda e natureza

A realidade do pecado é dura e cruel. Todos nós somos afetados pelo desejo e pela realização do desejo de fazer o que é errado. Tal situação de vida deve-se a tentativa do homem de transpor os limites impostos por Deus. Conforme Gênesis 3 nos informa, mesmo após ter recebido a ordem de não comer da árvore do conhecimento, Adão desobedeceu e foi expulso do paraíso, passando a experimentar uma nova realidade de vida. Lembrando bem da narrativa, vemos fatos muito interessantes e pertinentes para o entendimento de nossa situação diante de Deus e das coisas. Adão fora criado por Deus para servi-lo sendo seu representante na terra. Sua tarefa era obedecer a Deus em seu mandato de como deveria ser seu relacionamento com as coisas (dominar, cultivar e guardar: Gn 1.28, 2.15), com o próximo (multiplicar, deixar pai e mãe e formar uma só carne: Gn 1.28, 2.24) e com o próprio Deus (obedecendo aos outros mandatos e não comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal: Gn 2.17). Agindo desta for…

Os termos não vêm dos termos

Vern Poythress escreveu um livro sobre a validade da multiplicidade de perspectivas – é o must! De forma sucinta ele lida com questões da linguagem e demonstra como esta revela que há uma perspectiva, tendo em vista que os termos são utilizados pelo que os utiliza a partir de seu entendimento ou arcabouço de significado. Segundo ele, há uma grande dificuldade na definição de termos, pois, em regra, eles não têm apenas um significado e, na teologia, a dificuldade vem do fato de que nenhum termo da sistemática equivale ao termo bíblico.[1] O fato é que os termos são utilizados de modo elástico nas Escrituras e de modo estrito na Sistemática. A Bíblia estabelece o sentido do termo pelo contexto, a Sistemática tem o objetivo de reproduzir um grande conteúdo com um termo. A coisa piora, ao meu ver, quando tentamos abarcar a terminologia extrabíblica, querendo enxergar conceitos e pressupostos na Escritura, advindos da filosofia, psicologia, história, sociologia e por ai vai. Um belo exemplo …

Mundo hostil

O Senhor havia prometido ao homem que sua vida, a partir do pecado, seria penosa. O ambiente acolhedor e provedor, na verdade, era fruto da bondade provedora divina. Ele não habitava o Éden, de fato, mas em Deus. Seu refúgio existencial era o Criador, e a expressão dessa habitação era o Éden: cheio da providência, bondade e abundância. O homem, contudo, decidiu sair deste abrigo e passaria a habitar um ambiente hostil, cheio de dores, dúvidas e, o pior, distante do Criador. O homem está desabrigado. Jogado ao relento da vida, vê sua relação com Deus ser intermediada por ofertas (Gn 4.3-7) e o pecado se multiplicar. É a promessa divina se cumprindo (Gn 2.17) e o homem, experimentando os efeitos da morte espiritual, vê a hostilidade do ambiente, o trabalho numa terra caída, afetada de modo que representa a forma da relação da criatura com seu Criador. O homem passa a habitar[1] em ídolos, refugiar-se longe de seu Senhor. Passa a ver deuses no ambiente e a amar os produtos desse ambiente, …

Materialismo e evangelicalismo brasileiro, o problema não é só dinheiro