500 anos de Calvino


Não poderia me negar a escrever algo sobre Calvino. Hoje, em seu quincentenário de nascimento, posso dizer que, pessoalmente, louvo a Deus pela vida deste homem. Essa figura controversa, aliás, mais controversas pelas histórias fantasiosas sobre ele do que pela verdade, tem grande importância em minha vida. Sua teologia trouxe grandes transformações em minha forma de ver a Deus, portanto, o mundo.

Sua ênfase na soberania divina teve grande influência em meu entendimento sobre os fatos, o que me levou a deixar de ser uma pessoa extremamente ansiosa. Com a confiança de que todas as coisas estão na vontade de Deus, passei a descansar em sua vontade – afinal, doendo ou não, que lugar melhor para estar do que a vontade de Deus.

O modo como Calvino enxergou a criação pela soberania divina, também trouxe grandes transformações em minha vida. Ao ver que o Criador fez todas as coisas para sua satisfação, abandonei aquela visão antropocêntrica, na qual a criatura se coloca como o centro da existência divina e não o contrário. Hoje, não consigo ver que Deus deseja apenas minha felicidade, de modo algum, vejo que sua vontade pode sim, incluir algum sofrimento em minha vida para que sua glória seja manifesta. Não importa se não consigo entender bem como, mas entendo que todo tipo de felicidade ou sofrimento pode e é utilizado pelo Criador para cumprir seu plano para sua criação. Isso também me levou a entender que todas as cosias são feitas do modo e para o propósito que o Criador deseja; nada foge de seu controle soberano e nada é sem importância.

Além disso, a teologia do pacto por ele ensinada me levou a outro olhar sobre minha existência. Tudo o que sou e tenho deve estar a serviço do Reino de Deus. Na verdade, percebo que não há relacionamento verdadeiro com o Senhor que não seja pelos padrões do pacto, o que, após a queda, me leva a entender que não há como me achegar ao Criador que não por meio de Cristo, pois só ele cumpre cabalmente o pacto. Jesus é o homem que cumpre o que não consigo cumprir, portanto, meu relacionamento com o Pai só pode ser pacífico por meio do Filho. O que me leva a entender que não importa o sentido, a situação, estou nas mãos de meu Senhor; em tudo dependo de suas soberanas mãos.

Apesar de todas as histórias de um homem que seria um déspota, amargurado e pouco dedicado ao próximo, sinto-me pastoreado por Calvino. Um homem que pastoreou suas ovelhas. Sempre preocupado com a verdade bíblica. Pecador como qualquer outro, mas dedicado às verdade bíblicas como poucos. Calvino pode ser acusado de muitas coisas, mas após 500 anos de seu nascimento, podemos ver em diversos seguimentos da existência humana ainda influenciados pela dedicação deste teólogo a enxergar a vida como Deus a fez.

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