"muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos."

No evangelho de João 2.23-3.21 vemos a história de Nicodemus. Inicio sua história no capítulo 2, mesmo que seu nome só seja citado no capítulo 3, pois o que está neste capítulo é um exemplo específico do que se fala nos versos 23 a 25 do capítulo 2. Nesses três versos vemos João descrevendo um fato muito curioso. Ele descreve que pessoas viram os sinais de Cristo e creram nele, mas o Senhor não se “confiava” a eles. Mas por que? O texto diz que as pessoas creram em Jesus; o que estava errado?

Repare que o texto nos diz que o Senhor não se confiava a eles e que conhecia a todos – que maravilhoso conhecimento! Mas esse é acompanhado de uma segunda nota que nos informa que Cristo conhece a natureza humana e não precisava que ninguém lhe testemunhasse sobre isso. De repente, é inserida a história do encontro de Nicodemus com Jesus. Agora, digo de repente pelo fato de que em nossas edições o texto é divido em capítulo, mas se o lermos como seria no original, não separaríamos o que está no capítulo 2 do que está no capítulo 3. Daí, entenderíamos que a história de Nicodemus está ligada ao que está no fim do capítulo 2.

Olhando nesse sentido, vemos que Nicodemus é um belo exemplo do porque Jesus não ter se confiado àqueles que viram seus sinais e creram. A história começa com um detalhe muito interessante: Nicodemus foi ver Jesus à noite. Agora pense: dois mil anos atrás, à noite, fariseu que era, Nicodemus não queria que soubessem que ele foi ter com Jesus. Por isso, mesmo de depois de tantos elogios, ele recebe um “chega pra lá” de Jesus. Aquele homem disse coisas boas sobre o Senhor, no entanto, ele não entendeu quem era Jesus.

A resposta que Nicodemus recebeu mostra o conhecimento que Cristo tem do homem. Nosso Senhor sabia que aquelas palavras vinham de alguém que não sabia que diante dele estava o Messias esperado por Israel, muito menos que ali estava o filho de Deus. O máximo que nossa personagem entendeu é que Deus estava com o Senhor, mas não era o suficiente para que Jesus se achegasse a ele; tinha de ser mais.

Neste ponto, Cristo o adverte que, para entender o que e quem estava diante dele, ele precisaria nascer de novo. Mas a mente de Nicodemus, ainda presa à literalidade, que só lhe permitia ver a realidade física dos sinais, não conseguiu entender a necessidade de transformação da mente, da fé, da natureza. Sem essas coisas, ninguém pode ver o reino de Deus. Sem mente renovada para entender a profundidade e a realidade espiritual – a mais real de fato –, ninguém pode ter o prazer de ver Jesus se confiado ao homem.

Aparentemente, Nicodemus havia crido em Cristo. Por outro lado, aquela realidade que ele tentou esconder indo à noite ter com o Senhor, estava muito clara para este. Os elogios e a aparente fé não iludiram a Jesus, que afirmou adiante que somente aquele que tem fé receberá o dom da vida: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Muitos de nós, membros de igrejas, são assim. Muitos fazem discursos, louvam ao Senhor, dedicam-se em obras, mas estão andando no escuro, à noite em matéria de fé. As igrejas estão repletas de pessoas que viram sinais e maravilhas da parte do Senhor, mas não possuem a fé do nascido de novo. Na verdade, as pessoas estão indo a Jesus por causa dos sinais, não pelo que esses sinais indicam: Cristo é a salvação do pecador. Para esses, Jesus é um grande homem, aquele que fará o milagre, mas não aquele que liberta do jugo do pecado e, mais do que mudar a realidade presente, abre diante do que verdadeiramente crê a realidade do reino de Deus, eterna e deslumbrante, que me faz sair de dia, para testemunhar toda ela.

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