Já se olhou no espelho?


Todos acompanharam, sem muitas surpresas, o samba do crioulo doido que se instalou no Senado Federal. De fato, a instalação de tal não ocorreu nos últimos dias, mas somente agora o caldo derramou. Ainda que sem surpresas, tenho certeza que a revolta não diminui por isso, essa apenas deve ser somada às tantas outras que, como bons brasileiros, já guardamos em nossa coleção de escândalos patrocinados por nosso dinheirinho surrado e protagonizados por nosso governantes.

Por outro lado, tem algo que me revolta muito mais: “o sujo falando do mal lavado.” Esse é o povo brasileiro; adora criticar e apontar o erro dos outros, mas não quer admitir seus próprios erros. Não querendo justificar as atitudes daquela quadrilha eleita para o senado e câmara, mas, o que nós, como povo, podemos falar? Estamos onde estamos por nossa culpa, não de nossos governantes. Somos um povo acomodado, individualista e corrupto.

Todos adoram protestar contras as coisas erradas, mas quantos, de fato, fazem algo. Nosso comodismo nos leva a ter uma boca muito pesada para criticar, mas mãos muito remissas em fazer algo. Não lutamos pelo que é certo; não nos organizamos em passeatas e revoltas populares para tirar toda aquela corja – que ainda pensa que tem o direito de se indignar com as críticas e piadas feitas com eles. Pouco nos mobilizamos para fazer algo que mude a realidade do lugar onde vivemos.

O fato é que vivemos cada um em seu “mundinho”. Não nos revoltamos porque as coisas estão erradas, no fundo do poço da imoralidade. O que nos revolta, na maioria dos casos, é que sofremos alguma perda por causa da situação. Mas, quando a coisa me vai bem, não me afeta, não me dá prejuízo; quando estou satisfeito, tendo todo o prazer e satisfação que busco, então, não me interessa se meu vizinho não consegue dormir, se está sendo roubado ou prejudicado de alguma forma; o que interessa é meu bem estar.

A questão é que para ter esse bem estar o brasileiro não se importa com algumas licenças na ética, na moralidade, ou na legalidade. Aliás, para que qualquer sombra de culpa seja retirada de nossas mentes, até inventamos uma expressão para amenizar essas licenças: “jeitinho brasileiro”! Algo parece ser errado! Nãããooo! É o jeitinho brasileiro. Para mim, contudo, é corrupção.

Somos um povo corrupto e é por isso que nossos líderes eleitos são corruptos. Eles são o reflexo de um povo que não respeita o direito do vizinho dormir; do pedestre atravessar a rua; do motorista que vem pela rotatória; do cidadão que não quer ter sua casa invadida pela fumaça do vizinho que queima seu lixo. Tudo isso sem mencionar aquela “molhadinha” na mão do guarda, para não tomar a multa; a notinha fria, a estacionada em local proibido, o troco a mais não devolvido, a frutinha que se come sem pagar no supermercado – deixa-me parar, senão o texto não tem fim e tenho que trabalhar.


Como diz o ditado: “É fácil jogar pedra no telhado de vidro dos outros”. O que desejo, como bom brasileiro, é ter um povo digno para se revoltar com justiça contra toda corrupção que vemos por ai a fora. Mas enquanto formos esse povo acomodado, individualista e corrupto, é melhor ficar calado para não parecer aquela história de macaco rindo do rabo feio do outro, esquecendo que tem igual atrás.

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