Alegria em foco


Alegria, felicidade, prazer, satisfação; podemos definir todas essas palavras de uma forma diferente, mas todos buscam uma dessas coisas para provocar uma sensação boa em sua existência. Que sejam duradouras ou fugazes, essas sensações se tornaram o grande foco de nossa sociedade.

Nossa cultura atual é a da satisfação, ou do prazer pessoal. Os chamados serviços personalizados nada mais são do que um prestador de serviços atendendo o desejo de um cliente que quer sentir que as coisas estão do modo como ele deseja. Isso significa que aquilo que é coletivo já não é mais suficiente, estamos tão centrados em nossos prazeres que não conseguimos nos satisfazer no comum ou no coletivo.

A coisa está tão séria que a igreja tem se tornado mais uma prestadora de serviços para satisfação do “cliente”. Se você é surfista, há uma igreja para você. No caso de sua praia ser um rock pesado, claro, pode ir a um lugar onde os cultos permitem até aqueles mergulhos do palco para a galera. Temos cultos mais personalizados e agradáveis, ainda que isso signifique menos reverência, profundidade e biblicidade; mas não há problemas! Tudo está de modo muito mais agradável.

Entendo que o problema do mundo e, infelizmente, da igreja, está no foco. Mesmo aqueles que se dizem seguidores de Jesus focam tanto a vida nesse mundo que não conseguem encontrar prazer e satisfação em outra coisa que não aquilo que mova seus sentidos corporais. A fé não é mais esperança e convicção, mas ver e tocar, ou melhor, ser visto e tocado por Deus. O evangelho não se trata mais da ira de Deus desviada por Cristo de sobre nós e a promessa da vida eterna, mas do poder de Deus para realizar grandes mudanças nas minhas possibilidades de sentir prazer aqui e agora – e esse prazer não tem nada de espiritual, mas está ligado a casa, carro, casamento, dinheiro e etc.

Quando leio o texto de 1Pedro 1.3-9, me sinto desafiado. Sinto-me desafiado a viver e contemplar a salvação em Cristo do modo como o apóstolo ensinou. O texto foi escrito quando cristãos estavam sendo perseguidos e mortos. No entanto, Pedro louva a Deus e incentiva seus leitores a não só olharem para a salvação, mas, a despeito dos sofrimentos, exultarem, ou seja, terem imensa alegria nesse fato. Essa exultação Pedro descreveu como alegria indizível e cheia de glória.

Sinto-me desafiado, diante disso, a mudar meu foco. Quando estou com os olhos fixos neste mundo, seja em seus prazeres ou sofrimentos, não consigo ter uma perspectiva correta da obra de Deus e do que isso significa em minha vida. E o significado disso é tão profundo que, mesmo em meio ao mais atroz dos sofrimentos, podemos nos alegrar. A mudança de foco não só é benéfica, como necessária para vivermos a vida em Cristo da forma correta. Somente tendo nossos olhos fixos na Nova Jerusalém é que poderemos enxergar a vida com a mesma perspectiva de Paulo ao dizer: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18).

Se você quer experimentar a alegria indizível, que motivou Pedro a bendizer a Deus mesmo em meio ao sofrimento, mude seu foco. Pare de olhar a vida como se tudo que pode nos trazer prazer e satisfação estivesse plantado nessa terra; aguarde ansiosamente os campos férteis de nossa pátria celestial.

Comentários

  1. Camarada,
    Que satisfação poder lê-lo.
    O mais interessante é que aqueles que procuram plena alegria nas coisas deste mundo e entendem que Cristo deve nos satisfazer aqui e agora, são chamados por Paulo de "os mais infelizes de todos os homens".

    Belo texto. Já está linkado no meu blog.

    Grande abraço,

    do amigo,

    Milton Jr.

    ResponderExcluir
  2. Valeu, velho irmão e companheiro de espera pela alegria plena, que não está neste mundo.

    Abração,
    Ricardo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor" (Sl 122.1)

O conceito bíblico de liberdade

Qualidades essenciais do conselheiro cristão