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Mensalão, Joaquim Barbosa e fé: podemos aprender algo

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    Estamos todos felizes com a condenação do núcleo político dos acusados no caso do “Mensalão”. Acostumados a ver tudo acabar em “pizza”, poucos acreditavam que esse processo poderia ter um desfecho desses.     Mais do que isso, pouco imaginávamos que algum juiz seria alvo da admiração e apoio tão forte da população. Joaquim Barbosa não só mostrou-se coerente, como também engajado na defesa de seu voto, de suas ideias, como também comprometido em exigir o mesmo de alguns companheiros de capa.     É muito bom esse momento, contudo, temos de olhar para ele com a preocupação de quem tem princípios e ideais atacados a todo o momento. Vimos ali um juiz defendendo nossas leis e aquilo em que ele acreditava, no entanto, muitos de nós, conhecedores da Palavra e engajados no Reino, não tem tido a mesma firmeza em defender e a mesma coerência em viver os princípios do evangelho.     Dia a dia, perdemos a noção de que fé e vida não s...

Uma necessidade de todo pastor

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Ontem, tivemos um encontro muito prazeroso no Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição – onde fiz meu bacharelado. Foi muito bom rever amigos e conhecer alguns alunos anteriores ao meu tempo e também foi muito agradável ouvir o irmão Rev. Antônio Coine. Ouvimos da experiência pastoral deste irmão com mais de 42 anos de ministério. Muito se aprendeu e posso dizer que pessoalmente muito me motivei com as palavras deste irmão. Algo, porém, calou mais fundo em meu coração. Quando falávamos sobre a vida devocional dos pastores, ouvindo atentamente ao irmão Coine, compreendi que, na solidão pastoral, a vida devocional do pastor é o momento em que ele pastoreia seu próprio coração, abrindo-se na presença de Deus. E nesses 10 anos de ministério, posso dizer que essa é uma das lições mais preciosas que aprendi ao longo da caminhada pastoral. Um pastor que não se debruça sobre a Bíblia sem aquele ar profissional de se tirar dali um sermão, desaprende a admi...

Aborto, STF e anecéfalos

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    Nesta semana, vimos o STF aprovar o aborto para casos comprovados de anencefalia. Mas, o que é a anencefalia? Por que isso é tão importante, ao ponto de se descriminalizar o aborto desses fetos? É legítimo ao cristão fazer uso deste direito? Façamos uma avaliação.     A anencefalia é a ausência de cérebro e o topo da caixa craniana no feto. Por não haver cérebro, é impossível que uma criança nessas condições sobreviva ao nascer. Isso é fato, pois, sem cérebro, não há controle sobre os batimentos cardíacos, respiração e uma série de outras atividades vitais que, mesmo que não percebamos, são controladas pelo cérebro. O uso de ácido fólico é indicado assim que a gravidez é constada, nas primeiras semanas, para evitar este tipo de má formação.     Essa é uma discussão importante, pois, estamos falando do direito de se interromper a formação de uma vida e da confiança que um exame pré-natal tem. A questão é justamente esta, pois, quando se co...

"Eu Sou"

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Uma frase tem ocupado muito minha mente: “Ainda que o Senhor não nos tivesse dado promessas, e não nos tivesse abençoado tanto, e não nos tivesse justificado em Cristo, ainda assim ele continuaria a ser digno de toda honra, glória e louvor e completa dedicação de cada ser humano. Servi-lo tem a ver com seu ser, antes de tudo. Suas obras só acrescentam mais motivos para que o sirvamos.” A frase é minha mesmo e me ocupou tanto pelo fato de enfatizar o ser de Deus acima de qualquer coisa. Estamos tão acostumados com o louvor motivados pelas obras e promessas eternas de Deus, que penso que esquecemos que se Deus não tivesse dado, feito ou prometido qualquer outra coisa, seu grandioso ser e o simples fato de que por isso ele é o Criador, já deveria ser motivo suficiente para o servirmos. Gosto de me lembrar da conversa entre o Senhor e Moisés. Este, com a incumbência de falar com o Faraó para que libertasse Israel, pergunta a Deus qual era seu nome. A resposta do Senhor não poderia ser mais...

Falando corretamente com Deus

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Tornou-se comum no meio evangélico um linguajar meloso e romantizado de se cantar a Deus. Vemos músicas com belos arranjos e com letras que, com algumas mudanças aqui e ali, poderiam ser utilizadas por casais de namorados, sem dever nada aos ícones da música romântica. O argumento é de que isso é fruto de nossa intimidade com Deus, porém, temos de ter cuidado com o linguajar, pois existem palavras que usamos com os amigos, com parentes, com conjugues, enfim, nossas relações pedem um linguajar próprio para elas. Ainda que nosso relacionamento com Deus seja de intimidade, temos de nos lembrar que estamos íntimos de alguém que é muito superior a nós. Tratá-lo com um linguajar que usamos para com nossos semelhantes é um erro e até desrespeito. Os discípulos, por exemplo, mesmo andando com Jesus, comendo, dormindo, não deixaram de demonstrar, por meio do linguajar, que sabiam que estavam diante de alguém muito superior a eles. Lembremos, por exemplo, de João, o discípulo amado, que inclino...

As Inversões nossas de todo dia

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Ahhhh, a inversões diárias de nosso tempo. Eu ia postar mais um texto sobre piedade, mas a cena que presenciei ontem na novela das 21h – com padrão Globo de qualidade – me motivou a falar um pouco sobre essas inversões. A cena era o apoio que um dos protagonistas da história dava à saída de sua filha de casa, após uma briga com a mãe. Na cena de gratidão, numa pousada que serviria de novo lar para a filha, esta abraça o pai e diz: - Brigada, pai. Você é mais que um pai, é um amigo. Achei tão absurdo que perguntei à minha esposa se foi isso mesmo que ouvi. Logo me veio a mente essas inversões diárias, quando o que é principal é passado para trás pelo que é secundário. Nesse caso, o pai se torna menos que um amigo. O amigo passa ser aquele que demonstra amor, carinho, cuidado e compreensão. Pai é o cara que trabalha, para ganhar dinheiro, pergunta aonde você vai ao sair e dá uns pegas quando você sai da linha. Talvez esses que praticam tal inversão ganhem argumentos para tanto com a c...

Piedade

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    “Piedade, meu Deus, tende piedade de nós!” Quantas vezes não ouvimos esse clamor? No entanto, seu sentido nos desvia da definição bíblica de piedade. Enquanto o clamor iguala piedade a misericórdia, ou pena, as Escrituras tomam piedade em outro sentido. É importante que percebamos isso, para que nosso entendimento dos textos que utilizam este termo não seja comprometido e para que compreendamos como devemos ser piedosos.     Em 1 Timóteo 4.7-11 vemos diversos aspectos da piedade. Paulo instruiu Timóteo a exercitar-se na piedade e, depois disto, aborda como fazê-lo. Vemos ali o exercício da piedade como sendo o exercício da palavra, do procedimento, do amor, da fé e da pureza. Isso significa que a piedade é algo muito mais abrangente do que o ato de sentir pena. Resumindo o que aqui vemos, o que é apoiado por outras referências bíblicas, piedade é o conduzir-se segundo nossa fé.     Desta forma, agir com piedade exige de nós muito ma...