Aborto, STF e anecéfalos

    Nesta semana, vimos o STF aprovar o aborto para casos comprovados de anencefalia. Mas, o que é a anencefalia? Por que isso é tão importante, ao ponto de se descriminalizar o aborto desses fetos? É legítimo ao cristão fazer uso deste direito? Façamos uma avaliação.
    A anencefalia é a ausência de cérebro e o topo da caixa craniana no feto. Por não haver cérebro, é impossível que uma criança nessas condições sobreviva ao nascer. Isso é fato, pois, sem cérebro, não há controle sobre os batimentos cardíacos, respiração e uma série de outras atividades vitais que, mesmo que não percebamos, são controladas pelo cérebro. O uso de ácido fólico é indicado assim que a gravidez é constada, nas primeiras semanas, para evitar este tipo de má formação.
    Essa é uma discussão importante, pois, estamos falando do direito de se interromper a formação de uma vida e da confiança que um exame pré-natal tem. A questão é justamente esta, pois, quando se constata a anencefalia, estamos dando crédito ao exame e alimentando uma decisão com esses dados. Indo além, está o fato de que isso poderia abrir um precedente para que outros tipos de abortos venham a ser legalizados.
    Penso que temos de pesar todos esses dados e lembrar que esse tipo de caso se assemelha muito com a eutanásia – quando retiramos todo suporte de vida que mantém um paciente terminal vivo, ou mesmo viabilizamos sua morte mais rápida, a fim de se evitar mais sofrimento. Não podemos ser ingênuos e achar que há chances para um bebê anencéfalo; os casos mostrados de crianças sobreviventes são, na verdade, de crianças que têm algum resquício de cérebro, controlando as funções mais básicas do corpo.
    Casos assim, no entanto, ditos de anencefalia durante o pré-natal, mas que não o são, nos mostram que tais exames não são 100% confiáveis. Pode-se condenar um feto que terá alguma atividade cerebral, mesmo que mínima. É ai que penso morar o problema. Não acho que temos o direito de acelerar a morte de quem quer que seja. A menos que o feto possa gerar riscos à mãe, penso que devemos deixar que as coisas transcorram naturalmente, pois poderemos estar diante de um engano da medicina e tomando para nós mesmos as rédeas da vida.
    Sei bem o que é esperar por um bebê que não terá chances, mas nem por isso penso que é direito tomar em minhas mãos a hora de sua partida. É duro, mas é nessas horas que vemos que a vida é muito maior do que nós, nossos sofrimentos e conforto. Digo não ao aborto, mas não me atrevo a ficar julgando o sofrimento dos outros, principalmente das mulheres que carregam essa desesperança em seus ventres, no entanto, quando nos propomos a ter filhos, devemos saber que esta é uma triste realidade e que temos de lidar com ela não de modo confortável, porém responsável e reconhecendo nossos limites. Afinal, se temos tanta certeza de que o bebê morrerá pouco depois de nascer, porque trazer essa responsabilidade para si, tendo em vista o que uma psicóloga americana testemunhou em seu país - onde esse tipo de aborto é permitido -, vendo mulheres sentindo-se culpadas e deprimidas por terem tomado a decisão pelo aborto?
    Não se enganem, não é porque é permitido que sua consciência vai te dar um alívio! 
    Também não acho que, necessariamente, uma coisa leve à outra, isto é, não acho que porque aprova-se um tipo de aborto, o outro também o será. Acho que isso acontecerá pela impiedade própria de pessoas que não tem o menor temor de Deus e veem-se como donos da vida, ainda que não se apercebam disto. 

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