Meu irmão Péricle Couto morreu.


Meu irmão Péricles morreu. Com muita tristeza recebi a notícia neste último domingo, contando que esse homem de Deus teve complicações pós-operatórias e faleceu. O conheci há 4 anos e aprendi a detestar e a amar diferentes coisas nele.

Para quem o conheceu bem, Péricles era um chato de galochas. Meticuloso, sistemático, de uma calma incisiva e penetrante, ele sempre olhava os detalhes que ficavam de fora. Isso era irritante, mas mostrava seu perfeccionismo, que fazia dele uma ótima pessoa para cuidar de tantas obras de ação social espalhadas pelo país.

Realmente, a Missão Aliança, da Noruega, não poderia ter escolhido alguém melhor para fazer as avaliações e cobranças das obras assistidas. Porém, esse cuidado não era só numa mão. Olhava com misericórdia as necessidades, mesmo daqueles que ainda deviam alguma informação.

Sua esposa, Alva, o acompanhava sempre que possível, acrescentando a simpatia que lhe faltava nos momentos de cobrança mais complicados. Apesar disto, o bom humor, o olhar atento e preocupado com as necessidades dos mais fracos, fazia deste irmão alguém admirável e estranhamente alguém que se quer por perto. Às vezes me pegava emburrado por saber que iria encontrá-lo para alguma reunião chatíssima, ao mesmo tempo em que sentia um enorme prazer em vê-lo, por saber que ali estava um irmão que levava o evangelho aos mais recôndidos pontos da existência humana.

De Cristo ele aprendera o zelo, o amor, a misericórdia, o estender a mão. Dos homens carregava o pecado que o tornava imperfeito, como todos nós, porém, alguém que vinha se aperfeiçoando, caminhando para a perfeita varonilidade de quem procura imitar nosso Redentor.

Sua vida foi uma bênção para incontáveis vidas. De pessoas que, certamente, ele nunca viu ou, sequer, ouviu falar, mas que, de algum modo, recebeu os frutos de um trabalho meticuloso, cansativo, nem sempre compreendido, mas, sem sombra de dúvidas, abençoador.

Meu desejo é que sua chatice não tenha sido em vão e sirva sempre de motivação para nossa atenção. E que sua dedicação, amor, graça e misericórdia sirvam sempre de inspiração para aqueles que querem ser abençoadores e mais parecidos com nosso Redentor.

Meus sentimentos à Alva, sua amada esposa e irmã querida. Aos filhos e a todos nós que aprendemos a gostar desse camarada, chato, mas que sempre era bom tê-lo por perto.

Obrigado, Senhor, pela vida deste irmão.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor" (Sl 122.1)

O conceito bíblico de liberdade

Qualidades essenciais do conselheiro cristão