Me cobre ai - Deus me livre!

Tenho tido muito contato com histórias sobre pessoas que participam de igrejas que tem a ideia da cobertura espiritual. São muitos que gastam horas ligando, procurando, questionando e esperando pela resposta de seu líder, para tomar uma decisão. Minha esposa trabalhou por um tempo com um camarada desses, líder de uma célula de sua igreja. Seu telefone tocava o tempo todo com seus liderados, ou cobertos espiritualmente, perguntando se mandavam currículo para esta ou aquela empresa; se namoravam ou não; qual carro comprar; enfim, a cobertura espiritual era para ser encarada como uma forma de guia para a vida.

Ultimamente, tenho tido uma teoria de que essas pessoas tem um problema muito sério, não só em sua fé, mas em sua experiência de vida. Penso que muitos desses não entendem o sacerdócio, o reinado e o ministério profético de Cristo sobre nossas vidas. Além disso, esses, que sentem essa necessidade de ter alguém sobre elas – alguém palpável, audível -, tem dificuldades de criação e sentem falta de pais em suas vidas.

Suspeito que tais dominados – pois não consigo imaginar outra palavra para descrever uma relação dessas – não tiveram pais que cuidassem, dirigissem e dominassem suas vidas quando necessário, preparando-os para tomarem decisões, inclusive dando segurança para exercerem sua fé. A falta de um comandante divinamente estabelecido e biblicamente legítimo, leva essas pessoas a procurarem esses que se aproveitam desta carência, dispostos a participarem de suas vidas em detalhes anteriormente próprios dos genitores.

Essa ausência, já constada há anos, é fruto de um tempo no qual pai e mãe tiveram de ir para a rua, a fim de sustentar os novos anseios de uma sociedade materialista e consumidora. As crianças foram criadas pela televisão e cuidadas por babás e empregadas domésticas, que pouco podiam fazer devido à posição de pouca autoridade. O resultado são pessoas desestruturadas e que, ao chegarem à fase adulta, precisam ter sobre suas vidas figuras que substituam os pais. Por outro lado, já que passaram da fase de papai e mamãe, então, submetem-se aos apóstolos, líderes e obreiros responsáveis por células que são apenas grupos mais fáceis de serem conduzidos – para dividir a carga entre várias pessoas.
 
Assim como a criança sente medo de andar sozinha e arriscar seus próprios caminhos e passos, essas pessoas sentem que precisam da “segurança espiritual”, proporcionada por seus líderes de igreja. Enquanto as Escrituras ensinam que é Cristo quem nos cobre diante de Deus, tem gente procurando cobertura e gente pensando que cobre e até orando em seu próprio nome (exemplo no video). Isso é idolatria, pois a pessoa retira a confiança que deve se deposita em Deus e em seu caminho – Jesus – e a deposita num pecador.

Se desejamos saber a vontade de Deus, busquemos o profeta Jesus. Em Hebreus 1.1-4 vemos que ele é o último e permanente profeta de Deus, nestes últimos dias. Se você deseja ser coberto diante do Pai, por reconhecer-se pecador e incapaz, conte com seu Sumo Sacerdote, Jesus, nosso intercessor (Rm 8.34), aquele que nos leva à presença do Criador (Hb 4.14-16; Jo 14.6). Se você sente a necessidade de ter alguém liderando sua vida, comandando seus passos, te conduzindo para a Nova Jerusalém, volte-se para seu Rei Jesus, o Rei dos Reis (Ap 17.14).

Amado, você não precisa de mais cobertura espiritual que já lhe é dada por Jesus. Resolva suas necessidades por “cobertura”, não recriando o papel de seus pais por meio de pessoas às quais não foi dada qualquer autoridade sobre sua vida. Volte-se para Jesus, aquele que cobre, cuida, lidera, ama, conduz e é um com o Pai.

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