O Nosso Jesus

Nesta época do ano, sempre vemos uma invasão de artigos em jornais, revistas e outros meios de comunicação, questionando sobre a existência e o verdadeiro caráter da pessoa de Cristo. Algo que já está se encaminhando para o lugar comum são as “descobertas” de outros evangelhos, trazendo detalhes e histórias que contrariam a versão dada pelos evangelhos canônicos.

Tais evangelhos estão longe de serem novidade, mas estão em moda novamente, pelo insistente “efeito Da Vinci”, livro de Dan Brown. Motivados por esta obra de ficção, muitos querem igualar em importância os relatos desses novos evangelhos com os dos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. A jogada é construir uma visão mais humanizada de Jesus, utilizando as narrações cheias de intrigas e declarações nada similares as vistas nos 4 evangelhos. Enquanto estes apresentam a dupla natureza de Cristo e histórias que mostram a especialidade de sua pessoa, estes evangelhos estranhos falam de um Jesus envolto em intrigas, armações, romances e nada perfeito.

O fato é que todos esses evangelhos tem traços gnósticos muito fortes e característicos de correntes cristãs reconhecidamente rejeitadas desde o início da igreja. Antes mesmo que sanguíneo Tertuliano nascesse, o apóstolo João já escrevia combatendo essas correntes que, via de regra, negavam uma ou outra natureza de Jesus. Por serem platônicos, eles os gnósticos não aceitavam a ligação do material e do espiritual, que em Jesus era representado por sua natureza divina e pela humana. Ou Cristo era humano e, portanto, ajudado por um ser superior, ou era divino, não podendo se encarnar, para que não se contaminasse com a matéria, essencialmente má para eles.

Não é difícil de se ver o problema em tudo isso. Se não fosse Deus, Jesus não teria valor para salvar mais do que um homem. Se não fosse humano, Jesus não poderia representar homens e oferecer um sacrifício de sangue verdadeiro diante de Deus. Por tanta polêmica, esses grupos escreviam dando nome de apóstolos como autores de seus evangelhos, a fim de ganharem notoriedade.

Com uma análise simples não é difícil de ver a disparidade entre os ditos evangelhos e aqueles canônicos. Isso deve nos levar a crer que não existem motivos fortes para aceitarmos como verdadeiros e livre de partidarismos tais escritos. Eles sempre foram combatidos e rejeitados pela igreja mas que, pelo contínuo desejo de se reduzir a pessoa de Cristo, voltam à tona e às discussões.

Como pode ser visto nos evangelhos inspirados e que sempre ajudaram a igreja a construir a visão de seu Mestre, o entendimento da pessoa de Cristo é uma questão relacional, antes de investigativa. A misteriosa pessoa do Redentor é revelada a nós pela vontade de Deus e por sua direta, inequívoca e soberana. Não é de se espantar que tantas pessoas ainda discutam a natureza de nosso Senhor. Também não é estranho que, já no início da história da Igreja, vejamos heresias e tentativas de manchar a imagem de nosso Senhor.

Neste Natal, apesar de todas as tentativas de se desviar a atenção para a importância do nascimento de nosso Senhor, concentre-se no significado da encarnação do Verbo. Segundo o que vemos em Efésios 1, esse é o significado da história. Deus fez todas as coisas, desde a eternidade, inclusive o derramamento de sua graça salvadora sobre nossas vidas, para que tudo convergisse para seu Filho. O nascimento de Jesus, portanto, é a razão, o propósito da história. Quando celebremos o Natal, celebramos o significado de todas as coisas. É mais que o nascimento de uma criança, é aquele que é maior do que espaço e tempo, maior do que a história se revelando, para receber o que é seu: toda a honra e toda a glória.

Feliz Natal!!

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