A falsidade não é linda?

A falsidade não é a coisa mais linda do mundo? Brinco assim com minhas ovelhas, me referindo ao fato de que costumamos esconder sentimentos e atitudes ruins com sorrisos e palavras doces. Ao invés de dizermos palavras duras e tomarmos atitudes drásticas, ainda que verdadeiras, podemos seguir pelo caminho da falsidade e agirmos como se desejássemos tudo de bom para alguém de quem não gostamos.

É claro que estou sendo irônico, mas a falsidade é um fato cada vez menos reprovado em nossa sociedade. Nestes últimos dias, assisti embasbacado todo teatro quanto à paternidade de Ronaldo – o fenômeno... dos escândalos, da fertilidade... – de um menino nascido no Japão, de uma mãe brasileira.

A mídia mostrou um Ronaldo amoroso, que aceitou facilmente seu filho. Indo além, até sua atual esposa deu as boas vindas ao menino. Tudo parece ser muito bonito e digno, mas, o único digno desta história é o tal de John, o namorado da mãe do menino, que o reconheceu, mesmo sabendo que não era seu filho.

Enquanto as aparências indicam que Ronaldo é um pai amoroso, os fatos mostram um cara que lutou, por cinco anos, para não fazer um teste de paternidade. Enquanto John, o corno da história, aceitou o filho de Ronaldo, dando seu nome à criança, nosso “craque” – em asneiras – fez o que pode para não seguir este caminho.

Contudo, eu lhe pergunto, caro leitor, não é muito mais bonito assistirmos um pai que ama a seu filho? Não foi mais bonito vermos Ronaldo dizer que seu coração já sentia a verdade, do que vermos os números dos protocolos dos recursos impetrados pelos advogados de Ronaldo, para que não se realizasse o teste de DNA? Não é muito melhor vermos a cena da família feliz, do que de dois irresponsáveis que tem um caso relâmpago, no qual já partem para a cama e prolongam nos tribunais?

O fato é que Ronaldo quis evitar mais um escândalo envolvendo sua imagem. A mãe, interesseira ou não, tinha o direito de lutar para que seu filho recebesse o nome e os bens do pai. No entanto, a sociedade é que não pode aceitar como normal, adultos que mal se conhecem e partem para a cama. Um homem que sabe que tem a possibilidade de ser o pai da criança e não faz logo o teste de DNA para que, o quanto antes, já possa participar da vida de seu filho, não deveria ser, em hipótese alguma, um ídolo.

O fato é que toleramos a falsidade. Toleramos e engolimos a história de que uma área da vida da pessoa não tem nada a ver com outra. A vida amorosa de uma pessoa não tem nada a ver com os gramados, escritórios e gabinetes da vida. No entanto, aqueles que tomam esses ídolos como exemplo, não fazem esta distinção e, quando pensam em si mesmos no lugar de seus ídolos, fantasiam as mesmas atitudes extra. É por isso que engolimos a fantasia de bom pai que o ídolo do Coringão vestiu, sem vermos muitas críticas fazendo referência a cinco anos de rejeição. Por outro lado, também temos preguiça de pensar e de educar, mostrando a nossos filhos que não se pode ser tão irresponsável assim, mesmo com fama, dinheiro e poder.

Voltando às atitudes de nosso jogador, o pior de tudo foi ter de ver seu comentário, no qual dizia que estava muito triste por ter perdido 5 anos da vida de seu filho. Isso só pode ser uma brincadeira! Como diria Cap. Nascimento: “Tás de sacanagem comigo”. Mas, como tudo isso é bonitinho e “feliz”, viva a falsidade; viva os recursos; viva o sexo sem compromisso e casamento; viva a hipocrisia de uma sociedade que luta pela liberdade sexual, mas não quer ter lidar com as consequências desta liberdade – a não ser que a coisa seja levada para os tribunais.

Não, a falsidade não é bonita, ela usurpa de uma criança o pai, os limites, o senso de responsabilidade em ter de lidar com as consequências daquilo que se faz.

Comentários

  1. Pastor,

    Assistindo a reportagem passada num canal aberto da televisão, pensei exatamente a mesma coisa! Depois de tantas "fugas fenomenais" para evitar o teste DNA e depois de ser obrigado "juridicanente" a fazê-lo, senão seria considerado o pai e pronto! Fez e ao confirmar, o que já era óbvio, fez todo o teatro de pai amoroso...É, a falsidade não é linda??
    E como diria uma amiga nossa: "O pecado é sujo mesmo"...rs
    Abraços
    Viviane K.

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  2. Viviane,

    que bom te ler...rsrs. De fato, o pecado é muito, muito sujo mesmo, mas a humanidade está igual o porco na lama: feliz e ambientado com toda essa sujeira. Para a sociedade não importa muito a verdade, mas o que parece. Na política (Lula), no mundo empresarial (Eike Batista), nos esportes (Ronaldo), enfim, em todos os seguimentos profissionais temos ídolos ocos e admiradores ainda mais ocos, que não enxergam o que está diante de seus olhos, pois as aparências lhe são suficiente.

    O homem prefere, definitivamente, a falsidade, pois ela é mais fácil de lidar e exige menos de nosso raciocínio.

    Querida, um forte abraço à família.

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