Uma dura realidade, um futuro desanimador

Ontem, fui assistir o Tropa de Elite 2. O filme é “fantástico de bom”, porém, desanimador. História bem amarrada, cheia de ação e com uma filmagem excelente, o filme desanima por mostrar de modo vívido a realidade da corrupção brasileira e suas consequências nas mais diversas áreas da sociedade.

Não há novidades, mas a representação da sociedade carioca, com claras referências à pessoas reais, como ao ex-governador Antony Garotinho e o apresentador Wagner Montes, dentre outros, transportam o expectador à sua própria realidade, mas sem o risco de ser afetado por ela. Bons atores e o velho drama do Nascimento, que ainda se vê afetado por sua escolha em ser um policial que luta, realmente, contra o crime, nos deixam de olhos grudados na telona, torcendo para que os f#@$%¨* dos corruptos se deem mal.

Contudo, o que mais me chamou a atenção no filme não foram as tomadas “iradas”, os diálogos carregados de realidade e as cenas cheias de ação e tiros – muitos tiros. Não, não, o mais impressionante foi a quantidade de crianças presentes nas apresentações. Digo nas apresentações, pois, enquanto comprava o ingresso para a minha sessão, acompanhei diversos pais levando suas crianças para assistirem o filme em outros horários. Além disso, na sessão em que estive presente, sentei-me bem atrás de algumas dessas preciosidades de nossa nação.

Fiquei estupefato e temeroso pelo que seria daquelas vítimas de uma desmiolada mãe, que sede aos pedidos insanos e incautos de crianças que só querem ver o filme da moda. Para minha surpresa, as cenas de pancadaria, tiros, sangue, corpos carbonizados, crânios humanos, palavrões e tudo o mais, não só não assustaram aqueles baixinhos, como lhes levaram ao riso.

Por mais que nossa realidade totalmente corrompida seja uma péssima notícia, pior é a realidade de que nossas crianças já aprenderam a banalizar a morte e a rir do sofrimento alheio. Ao mesmo tempo que foi duro assistir que nosso Brasil é um país mergulhado em corrupção e que não podemos confiar em nossos governantes, foi um golpe de misericórdia ver que nosso futuro estará nas mãos de pessoas insensíveis e que pensam que a violência é algo engraçado.

O que será que passa na cabeça de pais que levam seus filhos para verem tanta violência e desastre? Será que não temos mais pais prontos a dizerem não e suportarem a insistência dos filhos? Será que não percebem que a preguiça para a educação gera o fardo de um futuro insuportável, nas mãos de seres humanos impassíveis e desinteressados nos efeitos da verdade que vão além das sensações e adrenalina, aquelas que falam de respeito, solidariedade, amor, paz, alegria, longanimidade e tantas outras coisas que não tem nada a ver com “Tropa de Elite”, Nascimento e crianças sem limites?

A você que não viu, recomendo. Não vou entrar em detalhes, para não estragar a surpresa, mas o filme é ótimo. Se eu tinha visto o primeiro 35 vezes, o segundo vou me acabar de assistir. Por outro lado, antes de qualquer coisa, veja bem como procede, para que a admiração pelo bom trabalho da sétima arte não lhe convença que tanta morte e horror não são tão ruins assim – afinal, nos renderam esse ótimo filme e tantos outros.

Comentários

  1. Ricardo li a análise que fez do filme Tropa de Elite gostei de suas observações e mais, quando você fala sobre as crianças parece-me não existirem mais filme em que a criança pode ou não pode assistir. Tenho comigo se não atentarmos para aquilo que nossos filhos assistem, poderemos no futuro ter problemas com elas, e não devemos esquecer são o futuro de nosso país.

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  2. Moisés,

    obrigado. Infelizemente, acho que o futuro já chegou e já não teremos de esperar para ver os resultados de uma infância nada lúdica e ingênua. O negócio é cuidar dos nossos.

    Abraço.

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