Orgulho de que?

Em mais um ano vemos a parada gay chamando a atenção para a Av. Paulista. Muito mais do que um simples movimento para defesa de ideais, esse é um momento para que pessoas, que por vezes estão reprimidas em seus desejos, tenham a liberdade para fazerem o que querem. Como um cristão, é óbvio que tenho minha opinião sobre a questão do homossexualismo, e também é óbvio que entendo que minha opinião é formada segundo o ensino bíblico. Mas, quando tocamos nesse assunto, sempre esbarramos num problema: o uso da palavra preconceito.

Perceba que não escrevi que o problema é o preconceito em si, mas o uso dessa palavra. É claro que o preconceito é um fato indesejável, mas é um erro o modo como tal palavra tem sido usada. Basta ver as discussões acaloradas sobre o assunto, sempre que alguém fala algo contra o homossexualismo, lá vem os defensores atacar com o brado: - “Preconceito!”

Sinceramente, penso ser esse um comportamento de pouca valia para a defesa inteligente da causa homossexual. A palavra preconceito significa um conceito elaborado antes do tempo. Isso significa que o preconceito se torna real quando a pessoa, sem ter elementos suficientes para estabelecer um conceito correto, o faz ainda assim.

Longe de querer dizer que isso não existe, é uma defesa muito pouco inteligente acusar todos os que são contra de preconceituosos. Ser contra não é ser preconceituoso, pois muitos dos que são contra, conhecem homossexuais, conversou com os mesmos; também avaliaram textos bíblicos, questões psicológicas e sociais e, a partir de tudo isso, formaram seu conceito. O único valor, por fim, de tal uso indiscriminado do termo, é o de dar meios para que os defensores dessa causa deixem fruir toda a sua raiva.

É preciso que se entenda, de uma vez por todas, que o fato de ser afirmar uma coisa tacitamente não a torna verdade. E isso também pode ser dito quanto ao uso da palavra discriminação, homofobia e quanto ao desejo de muitos de mudarem de sexo – nascer homem e dizer que se sente mulher não torna a pessoa mulher, e vice-versa, ainda que se acredite e insista no ponto. Portanto, cuidado, nem todos que são contra o homossexualismo e suas variantes, são preconceituosos.

Um segundo aspecto que podemos tratar sobre a questão do homossexualismo é a afirmação de alguns de que a Bíblia não se mostra contra. No mínimo, isso é uma brincadeira, para não dizer uma falta completa de capacidade de interpretação. Digo sem ofensa, pois, para qualquer um que nem tem contato com as Escrituras, pode ver que ela se opõe tacitamente ao homossexualismo. Se não, vejamos.

1 Coríntios 6.9 vemos que os efeminados não herdarão o Reino dos céus. Em busca de defender o ponto de vista homossexual, alguns querem dizer que a palavra “efeminados” tem a ver com a luxúria sexual, algo que o homossexualismo não seria. No entanto, a palavra grega para tal termo tem justamente o significado de homossexual. O que temos neste verso é um desdobramento da luxúria: impureza, adultério, homossexualismo, sodomia e idolatria. Idolatria parece estar fora de lugar nessa lista de pecados luxuriosos, mas ela é justamente o significado de todos eles. É a idolatria do prazer, da adrenalina e de tantas outras sensações e distúrbios que produz esses frutos. O homossexualismo é naturalmente parte deles e a correta tradução para o termo grego utilizado neste verso.

Outro texto que demonstra que a Bíblia é contrária ao homossexualismo é também um dos mais conhecidos para esse tema: Romanos 1. Ali vemos Paulo dando claros argumentos contra o homossexualismo, dizendo que o homem deixou o uso natural da mulher, cometendo torpeza homem com homem. Creio que aqui também o homossexual poderia argumentar que ser homossexual não significa cometer torpeza. No entanto, isso é força, ou melhor, ignorar o texto, que define que tal torpeza é o homossexualismo em si. Algo tão abominável diante de Deus, que chamou de imundícia e torpeza.

Segundo o apóstolo, essa mudança do “uso” da mulher, pelo homem (lembrando que o texto também fala de mulher com mulher) é uma mudança da verdade de Deus; mas que verdade seria esta? Penso eu que Paulo estaria falando sobre a criação da humanidade, de acordo com o que está em Genesis 1.27, onde diz que Deus criou o “homem” (humanidade) à sua imagem e fez “homem e mulher” (macho e fêmea). Isso significa que a humanidade é definida pela dupla sexualidade, que está ligada à natureza do corpo, caso contrário, Deus não precisaria criar uma mulher para chamar o macho de macho e a fêmea de fêmea. Bastaria um sexo e a posterior escolha da sexualidade. De modo nenhum!

Ser homem é ser homem de corpo e alma. O homem é um ser indivisível, parte material e parte imaterial. Um é a representação do outro e está ligado ao outro de tal modo, que o que acontece com um, se torna fato para o outro. Portanto, ser homem é ser no corpo e na alma – e o mesmo quanto à mulher, obviamente. Não há, aqui, qualquer indicativo de liberdade sexual, tão pouco de apoio ao homossexualismo – tem gente que não só diz que a Bíblia não é contra, como apóia o homossexualismo. É absurda a idéia de As Escrituras contenham qualquer tipo de anuência à prática homossexual. Senão, vejamos dois exemplos muito utilizados pelos homossexuais para dizerem que a Bíblia concorda com o homossexualismo.

O primeiro exemplo é o da amizade de Davi e Jônatas. Homossexuais, na luta por encontrarem apoio para suas práticas – pelo menos, os que se dizem cristãos – dizem que esse texto mostra uma clara relação homossexual. Dando uma boa olhada nos termos que a Bíblia utiliza para descrever a união sexual, vemos que não é o que acontece nesse caso. O texto diz que Davi e Jônatas tiveram uma ligação de alma, não de carne (1Sm 18.1), como é visto em Gênesis 2.24. A ligação entre esses dois amigos não foi marcada pelo contato físico, mas pelo amor abnegado de ambos, principalmente de Jônatas, que abriu mão do que era seu, para que Davi possuísse tais coisas.

Quando os homossexuais afirmam que nessa amizade há uma relação homossexual, eles demonstram todo o preconceito que há neles mesmos. Dois homens não podem se amar profundamente sem que isso signifique sexo? Penso que sim! Ter amigos mais chegados que irmãos é um fato reconhecido pelas Escrituras: “O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado do que um irmão.” (Pv 18.24) Não é interessante que aqueles que tanto acusam de homofobia os que discordam do homossexualismo (simplesmente discordam, não estou falando de violência) sejam tão tácitos e preconceituosos em dizer que uma amizade profunda indique homossexualismo? Mas o preconceito homossexual não para por ai.

Nem mesmo nosso Senhor Jesus escapa da tentativa de encontrar apoio bíblico para o homossexualismo. Na passagem da santa ceia, quando João recosta-se sobre o peito de Jesus (Jo 13.25), alguns homossexuais, que se dizem cristãos, mais uma vez demonstram o preconceito, ao afirmarem que essa intimidade de João era um sinal da relação homossexual entre o Mestre e seus discípulos. Mas, mais uma vez eu pergunto: seria esse sinal de intimidade e preocupação por parte de João um sinal de homossexualismo? Esbravejo eu agora: PRECONCEITO! Viajantes de mais de três anos, o entendimento de que diante deles está seu Senhor e agora a terrível declaração de que um deles ali iria traí-lo; não é razão suficiente para um homem preocupado inclinar-se procurando a aceitação de seu Senhor? Além disso, e mais importante, é a posição em que eles estavam.

Todos nós, quando pensamos na última ceia, temos a tendência de pensar no quadro de Da Vinci. Todos sentados, do modo como fazemos hoje, entorno da mesa com os alimentos. Contudo, isso não tem nada a ver com modo de se comer naquela época. As pessoas ficavam praticamente deitadas, apoiadas sobre um dos braços e comendo com o outro. Diante disto, não é difícil de imaginar o porque de João ter se reclinado sobre o peito de Jesus. O fato de ele ser o discípulo amado, só trouxe maior segurança e intimidade para obter a resposta de sua dúvida de modo tão íntimo. Tenho pena dos homossexuais, que afirmam tal absurdo, pois estes não tem uma amizade tão profunda que não signifique troca de fluídos sexuais e, por isso, não conseguem imaginar que tal ocorra com alguém - se não for isso, então, por que eles taxam tudo de homossexual?

Segundo a teologia bíblica sobre a sexualidade e a natureza humana, Jesus jamais seria homossexual. Como dito anteriormente, é próprio da humanidade ter macho e fêmea, e isso se refere não somente ao corpo, mas ao ser. Ser homem é o ser de corpo e alma; ser mulher é ser de corpo e alma. A única forma de relacionamento desses gêneros é hétero, como nos mostra Gênesis 2, onde vemos que o homem deveria deixar pai e mãe e se unir à sua mulher – aquela que é fêmea, que foi criada por Deus, não aquele que sente uma mulher. Isso se torna ainda mais claro, quando vermos a razão para existir macho e fêmea: relacionamento que se reproduza.

Nossa sexualidade tem um objetivo duplo: relacionamento e reprodução. Deus nos abençoou para sermos fecundos e encher a terra. Masculinidade e feminilidade estão ligados a esse propósito, não à nossa vontade, desvios e pecados. Não é porque dizemos ser algo que nos tornamos algo. Não é porque um homem se sente mulher e diz-se mulher, que ele se torna uma, mesmo com uma cirurgia de mudança de sexo – o mesmo se diz para uma mulher que se diz homem. Somos o que somos, portanto, para cumprir o propósito de termos relacionamentos que gerem frutos e encham a terra da imagem de Deus.

Mesmo que alguém diga que nasceu deste modo, isso não significa, ou torna a coisa certa. Muitos nascem com problemas. Doenças, distúrbios, dificuldades e condições adversas, mas todos lutam contra elas. Nascer com algo, não significa ter de aceitar tal coisa. Do ponto de vista bíblico, ainda que se aceite como verdade que o homossexual nasceu em tal condição, isso apenas aponta para o modo como pecado afetou tal pessoa, não que tal condição seja certa. De nascimento ou não, o pecado nos afeta e devemos lutar contra isso. Na verdade, todos os pecados que cometemos são de nascimento. Nascemos em pecado. Alguns serão assassinos, outros mentirosos, muitos desobediente aos pais, adúlteros, invejosos, fofoqueiros e também homossexuais, mas todos nasceram pecadores.

Qualquer uma dessas condições são provenientes do pecado. Nascer pecador não torna a coisa correta. Se assim o fosse, todos os assassinos, desobedientes, fofoqueiros e outras tantas modalidades de pecado poderiam ser escusadas pelo simples argumento de que se nasceu com esse instinto, com essa inclinação. Perceba a falta de lógica e de conhecimento dos efeitos e da natureza do pecado. Diante disso, não consigo entender porque tanto esforço por tornar algo biblicamente correto. Melhor seria ignorar Deus e sua lei. Melhor seria não tentar forçar textos bíblicos, para que dissessem algo que eles não dizem e simplesmente ignora-los.

Outro ponto interessante, é que esse tipo de esforço, seja o de se fazer uma parada tão grande, ou o de forçar textos, sempre estão ligados ao desejo humano de tornar aceitável seus desvios sexuais. Não vemos uma parada que junte tantas pessoas para tirar governantes corruptos do poder; contra a violência; pela educação ou outras motivos mais nobres e que afetem mais a população como um todo. O fato é que a perversão humana nos move mais do que assuntos de necessidades básicas.

Por outro lado, consigo ver algo de positivo na movimentação homossexual. Ao fazerem tanto barulho, os homossexuais nos lembram de algo muito simples: eles são pessoas. De fato, mesmo discordando do homossexualismo, não penso que reações violentas, agressivas e ofensivas sejam o caminho correto. Temos de olhar com reprovação para aqueles que são verdadeiramente homofóbicos; aqueles que agem com violência, desrespeito e desprezo. Nosso Senhor nunca olhou para o pecador desta forma. Se penso que o homossexual está errado, então devo olhar com misericórdia, com a mesma misericórdia que desejo que Deus olhe para meus pecados. Por mais que eu sinta repugnância ao ato homossexual, isso não pode se transformar em ódio, desprezo e violência contra o pecador. Homossexual tem direitos e também foram criados à imagem de Deus, bem como qualquer outro pecador.

Diante de tudo isso, meu desejo é que o amor de Deus convença todo pecador: homossexuais, assassinos, mentirosos, ladrões, adúlteros, desobedientes; de que precisam se arrepender de seus pecados e pararem de arrumar desculpas e argumentos, buscando justificá-los. Portanto, não há do que se orgulhar. Biblicamente falando, não há orgulho gay, bem como não há orgulho para nenhuma classe de pecado. É imperativo a todo homossexual que crê em Cristo, nas Escrituras e na salvação, saber que lutar contra o pecado é o caminho de intimidade com Deus. Forçar textos e usar argumentos totalmente influenciados pelas paixões e dificuldades de se vencer o pecado não mudará nada, apenas cria uma ilusão de que tudo é muito normal – como se normal fosse sinônimo de CERTO!

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