Impressões de um lugarejo americano.


Graças a meu pai, estou desfruntando de umas férias em NY. Foi uma troca de favores: ele queria mandar a esposa dele para passear e eu viajaria junto, mas tendo de deixar minha esposa sozinha, pois ela não pode tirar férias. No entanto, mesmo sendo nesse esquema tenho muito que agradecer a meu pai que, sempre que pode, proporciona bons momentos pra mim, além de muitas outras coisas; sem contar que minha madrasta e eu nos damos muito bem.

Depois de 4 dias completos na “Big Apple”, vejo algumas coisas interessantes por aqui (muitas, de fato, mas algumas me chamaram mais atenção). A primeira delas é que não vejo relógios e termômetros espalhados pelas ruas, como aqueles muito comuns no Brasil. Nunca sei a que temperatura estamos, só que está frio o suficiente para não pensarmos em sair sem os casacos. Tão pouco sabemos que horas, a menos que levemos conosco um relógio. Parece que as pessoas só estão na rua de passagem, que saíram de um lugar numa determinada hora e tudo o que interessa é chegar em outro lugar. Como me contou um taxista chinês: “stress, stress, stress”; todo mundo em NY é estressado. Segundo ele, as pessoas estão tão apressadas e estressadas que não tem tempo para apreciar uma mão que se estende tentando ajudá-las. Ele mesmo já levou muito desaforo porque tentou ajudar. Sem relógio para remir o tempo, e sem termômetro para saber o quanto de calor humano se precisa para melhorar as coisas por aqui, a maior cidade americana segue por horas à fio humanamente fria.

Uma segunda coisa que muito me chamou atenção por aqui, é que as pessoas seguem mais as regras por medo do que por consciência. É claro que não quero totalizar as coisas, apenas generalizá-las. Aquele sentimento, típico dos colonizadores puritanos, de apego às regras, parece ter deixado essas bandas. Vejo que, após o prefeito Julianis, que deu um jeito na violência, e o 11 de setembro, que fez com que o esquema de segurança mudasse muito, as pessoas se sentem observadas todo o tempo e com medo de fazerem algo errado e serem multadas, presas ou chamadas a atenção. Por outro lado, quando sabem que não são observadas, fazem o que podem para facilitarem suas vidas. Ontem, após comprar umas coisitas que minha madrasta queria, notei que a caixa da loja havia me dado troco a mais. Fui falar com eles sobre isso, e eles ficaram olhando por algum temo com aquela cara de: “Pera ai! Ele não está reclamando! Ele quer devolver dinheiro!”; a cara de surpresa do gerente da loja era algo tão espantado, que logo percebi que isso não é comum por aqui. Ao que parece, portanto, o apego às regras não está tão ligado ao caráter comum da população, mas ao bom sistema de vigilância, que consegue manter a ordem por aqui.

Minha terceira impressão é a quantidade de brasileiros. Em todos os lugares que vou escuto nossa língua. Isso me lembrar de algo que odiei: todo lojista acha que por você ser brasileiro, vai entender espanhol. Quando estou falando inglês com eles e digo que sou brasileiro, eles, ainda que por gentileza, disparam um “spanenglish”. Cara, tenho de confessar que espanhol, pra mim, é semelhante ao tailandês em braile. Quando digo a eles que não entendo bem espanhol, eles olham com aquela cara :O Ai tenho de dizer para eles que, ainda que sejam línguas parecidas, há muita diferença, portanto, ou fale em português, ou inglês que são as línguas que entendo bem, o resto, só escrevendo mesmo. Mas isso se deve a essa quantidade de brasileiros, dos quais grande parte não fala inglês, que pede para ser atendido em espanhol. Não estou criticando isso, até porque eles querem fazer as compras deles e precisam entender o que estão comprando, mas que é chato ser colocado no mesmo saco e acabar não entendendo o atendente, isso é.

Em quarto lugar, o charme dessa cidade é algo fabuloso. Para onde você olha você vê aquelas paisagens as quais Hollywood se encarregou de eternizá-las. Além disso, a quantidade de pessoas mundialmente famosas é um absurdo. Aqui vimos onde moram Madona, Bono, Celine Dion, Donald Trump, onde morou Mike Tyson – até ficar pobre - e onde morreu John Lenonn; onde Kevin encontrou a mendiga dos pombos e onde ele correu dos ladrões molhados e tantos outros lugares interessantes que percebi outra coisa: praticamente tudo que há de bom em NY está em Manhattan.

Temos uma cidade gigantesca ao nosso redor e ninguém indica qualquer lugar que seja fora do perímetro desta ilha. Engraçado é o modo como os nova-iorquinos olham para New Jersey, é mesma forma como os paulistanos olham para Carapicuíba, os cariocas a baixada e os brasilienses olham para ceilândia. Pelo jeito, nada de bom acontece fora de Manhattan, ai, a megalópole se encolhe e percebe-se como um mundo de pessoas podem ter suas vidas voltadas para um teco de terra. Parece que não há investimento turístico nos arredores de Manhattan, pelo menos, não ao ponto de se tornar famoso e ser indicado por quem quer que seja.

Bom, já escrevi muito e, sinceramente, estou mor-ren-do de saudades de minha esposa. Esse lugar ficou enfadonho, feio, sujo e execrável sem ela. Quero ir para o Brasil hoje mesmo... mas nada como estar enfadado na quinta avenida...rsrs.

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