"Quem quer viver para sempre?"

Ontem vi a reportagem sobre um biomédico que afirmou já ter nascido o homem que viverá 150 anos. Além disso, o figura – pois o sujeito é uma figura de visual estranho – afirmou que logo os seres humanos viverão 1000 anos. Esse sonho de longevidade pode ser algo que quase todos almejam, contudo, olhando a vida como ela é, acho que o sucesso desta pesquisa não será tão absoluto.

Enquanto muitos se empolgam com este tipo de notícia, eu fico temeroso. Em minha opinião, um homem que vive tanto eleva o potencial destrutivo do ser humano. O senso comum diz que o idoso fica mais calmo, bonzinho e amigável. Por minha vez, entendo que o idoso, é claro falo dos que tem mente sadia, estão é profissionalizados no pecado. O problema é que seus corpos é que não acompanham os pensamentos de uma mente experiente e mais entendida das coisas da vida.

Agora, imagina um ser humano que, quando chega aos 75 anos, está apenas na metade da vida. Com essa idade e com a “vida toda pela frente” qual não seria o potencial de se maquinar o mal e fazer o que não se deve. Não se iluda, o homem não fica melhor com a idade, fica é incapacitado de acompanhar com o corpo, os caminhos da mente. Por essa razão, percebem que precisam ter um comportamento bom, para não atrair malefícios para si. É justamente a chegada dos impedimentos da idade que dá a consciência de mortalidade e a necessidade de mudança, mas quando isso se acabar, essa consciência virá bem mais tarde.

Além disso, fico pensando numa vida tão longa. Olhe para este mundo; dá para dizer que somos felizes? Se você respondeu que sim, então, pense de novo. Sua vida está boa, contas pagas, paz em família, bom emprego, estudo, bons amigos, salvação; ok, também tenho todas essas coisas e, diante de Deus, estou feliz. Por outro lado, vejo miséria, assassinatos, imoralidade e tantos males num mundo afundado em pecado, que, ainda que feliz, não posso me dizer plenamente feliz. Aliás, costumo dizer que aqueles que se dizem totalmente feliz ou são iludidos, ou não tem amor algum pelo próximo. Como ser feliz com tantos semelhantes passando por tanto sofrimento?

Na minha visão, Salomão estava certo: “Se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele” (Ec 6.3). Mas ai vem a pergunta: como nos fartar do bem, se os que estão ao nosso derredor sofrem tanto? Melhor é não ir tão longe, ao ponto das tristezas desta vida se tornem cada vez mais claras e sobreponham-se às alegrias. Melhor é gozar de outra parte das palavras de Salomão: “e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (Ec 12.7)

Sim, meus irmãos, o ensino das Escrituras sempre nos conduz ao porvir, seja ao estado intermediário, seja à eternidade. Falando sobre o estado intermediário, Paulo nos motivou:

“Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” (Fl 1.14).

Entre viver evangelizando, mas ainda enfrentando este mundo, ou ir para o Senhor, Paulo deixou claro que estar com Cristo é “incomparavelmente” melhor (ou, como diria o grego “muito mais melhor”). Estar como Senhor deve ser o sonho de todo cristão. É claro que não quero dizer que devemos desejar a morte, mas sim o que ela representa para nós: o estado intermediário que nos leva a desfrutar a presença de Deus, sem o pecado. Ainda não será o momento de relação plena com Deus, pois não estaremos em plena existência, já que não teremos nossos corpos, mas será o princípio daquilo que é bom. Contudo, esse é o estado intermediário.

Nosso Senhor Jesus nos faz lembrar continuamente do grande momento. Ele nos deixou um símbolo, a Ceia, que sempre nos remete à sua promessa: “não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.” (Mt 26.26). Ou como nos ensinou Paulo: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” (1Co 11.26) Essa é a grande expectativa dos que creem, a parousia, a revelação de nosso Senhor. Não ansiamos por mais anos, por fórmulas que prolonguem nossos dias, mas para que os dias sejam abreviados e logo possamos ver a glória de nosso Senhor em seu retorno (Mt 24.22).

Enquanto a ciência nos ajuda a ficar mais aqui, pois para ela não há mais nada, nossa fé deve nos remeter ao porvir. Sinceramente, não sei para quê viver num mundo de dor e sofrimento por tanto tempo. Uma coisa é aproveitar o que há de bom, outra é viver com se só houvesse isso. Não, o mundo não é tão bom para tanto. Logo, virão os dias em que o que há de ruim superará o que há de bom. Ao mesmo tempo, logo virá o dia em que o que há de bom superabundará e uma nova realidade se estabelecerá e as descobertas desse biomédico serão obsoletas e inúteis, pois todos que estiverem na cidade santa terão vida da fonte, vida abundante, vida eterna, vida em Cristo.

Comentários

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  2. Oi Ricardo,
    Aprecio muito a sinceridade de sua exposição. Vivemos em uma sociedade plural todos têm necessidades, habilidades, e dificuldades distintas. Quando eu me refiro aos rótulos, não falei que se deve abolir com toda e qualquer classificação, como de música, por exemplo, Jazz. Claro que é necessário, em certos momentos. Em relação às pessoas, adjetivos como loiras ou morenas, gordas ou magras, deficientes ou não, também não vejo problema,até por uma questão lingüística. Assim como entendo que não se deve abolir o uso da linguagem gramatical, uma vez que o uso indiscriminado da linguagem coloquial gera problemas de comunicação. Uma certa ordem, um certo consenso é necessário. Como há o consenso , uma certa ordem, em não se atravessar o sinal vermelho. Gostaria que compreendesse que quando me refiro aos rótulos o faço em função do uso indiscriminado e excessivo. Quando alguém sente atração por uma pessoa gorda ou loira, ou morena, ou negra, não recebe rótulos, não é mesmo? Então, por que uma pessoa que sente atração por uma pessoa deficiente deveria receber? Se é natural que sendo a sociedade plural, sendo o ser humano plural, ele se atraia por pessoas diversas, por diferentes motivos. É o caso dessa classificação devotees. Sinceramente, eu não me sinto a vontade com ela. Na minha concepção, o excesso de rótulos, muitas vezes geram pré-julgamento das pessoas, propiciando a criação de mitos, tabus, e estigmas. ao invés de incluírem, excluem. Na minha concepção classificar com qualquer denominação uma pessoa que se relaciona afetivamente com uma pessoa com deficiencia é criar um estigma, um preconceito, como se essa fato o fizesse um ser humano distintos dos demais, entenda, no sentido de "anormal" , todos somos igualmente diferentes, se eu considero normal, natural, essa diferença não há necessidade de tantas classificações. Se é natural que se sinta atração,afeição por pessoas de diferentes características, não há essa necessidade. Como não há necessidade para denominar alguém que sinta atração por loira, morenas ou gordas.

    P.S Eu sou cristã,e me congrego na Igreja Batista. Aprendi com Cristo que Deus não faz acepção de pessoas,quanto mais nos aproximamos de Deus mais enxergamos no outro nos mesmos, pois somos todos da mesma espécie: a humana. E Deus moldou cada um de nós com diferentes características para diferentes propositos...
    Carla A.

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