Introdução à Reforma Protestate


Este é o mês da Reforma Protestante. Mais do que um evento de cunho religioso, a Reforma trouxe transformações para todas as áreas da vida humana. Antes, sob a égide católica, o mundo viveu a chamada era das trevas - período no qual o conhecimento e o desenvolvimento humano foram impedidos pela censura católica.

Durante séculos, sob uma pretensa devoção e fidelidade a Deus, a igreja romana fez de tudo para não perder o poder de controlar a vida e o céu. Armada com o dogma de que as chaves do céu estavam com a igreja, a ICAR censurou o pensamento, a expressão de idéias, queimou obras e pessoas e impediu qualquer avanço tecnológico, considerando a ciência inimiga da fé. Não faltam exemplos históricos, como Copérnico e Galileu, de homens que descobriram coisas que contrariavam a frágil teologia católica. Aproveitando-se de seu poder, e indo pelo caminho mais fácil, Roma logo iniciou o “cala boca” contra todos que representavam alguma ameaça ao controle exercido pela igreja.

Tristemente, dentro do próprio contexto religioso, a igreja não economizou em seus desmandos. Com poder de quem tem as chaves do céu em mãos, a igreja logo começou a barganhar a salvação dos homens. Cobrando as famosas indulgências, a salvação deixou de ser uma questão da relação homem-Jesus, e passou a ser uma questão da relação homem-dinheiro.

Aquela mensagem bíblica de crer e ser salvo virou a mensagem eclesiástica do pague e te tiramos do purgatório. Mais do que transformar a salvação numa barganha, a venda de indulgências transformou-a numa impossibilidade aos mais pobres. Se antes o pecado que condenava encontrava sua solução em Cristo, agora a impossibilidade financeira ficava à mercê da boa vontade de homens pecadores.

No dia 31 de outubro de 1517 essa história encontraria seu fim ou, pelo menos, o início de sua derrocada. Martinho Lutero, monge agostiniano, depois de intensas batalhas internas quanto a sua fé, prega na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, suas conhecidas 95 teses contras a venda de indulgências. Aquele monge, homem preparado, já formado em direito, conhecedor de latim, escreveu tais teses nesse idioma. Diferentemente do que muitos pensam, suas teses demoraram meses para provocar algum alvoroço. Pense naquele tempo: Wittenberg era uma cidade pequena até para aqueles dias; o alemão sequer tinha uma organização gramatical de escrita estabelecida; ser alfabetizado era mais do que raro, quase um achado arqueológico, saber latim, então, era quase como encontrar vida em outro planeta. Certamente que o resultado não foi imediato, mas ele veio.

Logo que soube da atitude de Lutero, a ICAR, tão empenhada em sua venda de indulgências a ponto de enviar Tetzel como seu mascate oficial por toda a Europa, inicia sua caçada aos ideais de Lutero. Mas aquele valoroso homem, já firmado em verdade como Romanos 1.17, defende-se admiravelmente, arrebanha multidões com sua teologia da justificação pela fé. Com conhecimento teológico profundo e uma fé verdadeiramente estruturada nas Escrituras, aquele home nascido em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, defende-se mostrando-se um escravo da verdade. Com frases como: "Que se me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido a minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável." (dita quando perguntado se ele negava suas “novas” doutrinas).

Com tamanha firmeza e acuidade bíblica, o resultado não poderia ser outro. Hoje, como um presbiteriano, convicto de que a teologia calvinista é a melhor interpretação das escrituras, tenho em Lutero o meu reformador predileto. Sua coragem e firmeza abriram as portas para que muitos irmãos, como Calvino, encontrassem meios de exporem a verdade bíblica sem o cabresto católico.

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