Quando o medo nos domina


    Se você é como eu, então já errou por se importar mais, ou temer mais, aquilo que deveria vir depois. Isso é resultado dos medos que temos no coração, muito alimentados pela ansiedade, que nos leva a uma posição de urgência e vulnerabilidade, que mais tem a ver com a forma como lidamos com as circunstâncias, do que com a realidade em si. Esse medo nos domina e dirige nossas ações, levando-nos à escolhas indevidas, pecaminosas, que só agravam nossa situação.

    Em 1 Samuel 13, versos 8-13, vemos um momento desses na vida de Saul. Este recebeu ordem do sacerdote Samuel, para que o esperasse 7 dias em Gilgal, próximo ao campo de batalha contras os filisteus,a fim de que o sacerdote oferecesse sacrifícios diante do Senhor. Tal trabalho tinha de ser feito unicamente pelo sacerdote – conforme ensina a Lei de Moisés –, no entanto, Saul viu a multidão se afastando pela demora de Samuel e ainda lembrava dos filisteus que se preparavam para a batalha, ele  desobedeceu a ordem de Samuel e a Lei de Deus e fez por si só o sacrifício.

    Ao longo do texto, percebemos alguns sinais que mostram quando o medo nos domina. O primeiro sinal foi o de que Saul confiou nos homens. Ao ver o povo se espalhando, Saul pensou, certamente, que seu apoio, que sua vitória estaria se esvaindo. Ele não lembrou da Lei do Senhor, que ensina que a batalha, que a luta pertence ao nosso Deus. Ao invés de confiar na condução de Deus e em seu cuidado, Saul pensava que eram seus soldados, o apoio do povo que lhe daria a vitória. Temos de ter a consciência de que, ainda que precisemos das pessoas, elas, na verdade, são instrumentos nas mãos de Deus. Não podemos prezar mais a companhia e a ajuda das pessoas que a Lei e nossa fidelidade a nosso Rei e Senhor.

    Lado a lado com que vimos acima, está o temor de homens. Saul pensou que seu exército era imprescindível, mas também teve mais medo dos filisteus que de Deus. Na situação em que ele estava, ele não percebeu que a batalha não era dele contra os filisteus, mas do Senhor da aliança contras seus inimigos. Saul ficou com mais medo do povo inimigo, que de seu Criador, Sustentador, Todo-poderoso. Muitas vezes fazemos coisas que desagradam a Deus, pois temos mais medo daqueles que pensamos poder infligir algum mal sobre nós. Nosso Pai Celestial é amoroso, mas Jesus não nos lembrou a toa que deveríamos temer mais aquele que mata até a alma (Mt 10.28).

    Por último, a má escolha de Saul nos ajuda a entender que o medo nos domina quando as circunstâncias falam mais alto em nosso coração que a Palavra de Deus. Se no primeiro ponto vimos como Saul confiava na força de seus homens, ao invés do poder de Deus, com o que vemos no verso 12 de 1Sm 13, percebemos que o rei israelita estava ali ignorando todo o aprendizado sobre a Palavra de Deus e tomou decisões baseado nas circunstâncias e não nos conselhos divinos. Confiado em seu exército, temendo os filisteus mais do que ao Senhor, o passo óbvio é o afastamento da Lei divina e um olhar míope que só consegue ver o óbvio.

    Saul não enxergou o que Deus queria com toda aquela circunstância. Ele queria um rei obediente, não um rei vitorioso – pois a vitória seria dada pelas mãos divinas. O Senhor queria um líder que ensinasse a seu povo a confiar em suas promessas; que reconhecesse o poder de seu Senhor e que dirigisse o povo segundo a Escritura e não para longe dela, tendo por base somente o que lhe foi trazido pelas circunstâncias.

    Diante disto, será que não podemos enxergar momentos em nossa vida, nos quais o medo nos dominou porque confiamos em homens, tememos mais a homens e tomamos decisões ignorando a Palavra de Deus? Pense bem, pois, mesmo que tudo tenha dado certo no final e o pior segundo sua opinião não tenha ocorrido, não há derrota pior para nossas vidas do que a infidelidade a Deus.

Comentários

  1. A Paz de Cristo Jesus,

    Sábias são as suas palavras.
    O Corpo de Cristo carece de membros que sejam espiritualmente maduros. Todos nós começamos no Novo Nascimento como bebês espirituais em Cristo, mas Deus não planejou que nós continuássemos desse modo. O desejo de Deus para nós é que cresçamos para a maturidade cristã.
    O Corpo de Cristo precisa ser fortalecido em seu crescimento para isso necessário é encher-nos do Espírito Santo.

    Que o Senhor Jesus continue te usando, como instrumento para edificação do Corpo de Cristo.

    Deixo o convite para visitar e também seguir o meu humilde espaço.
    http://frutodoespirito9.blogspot.com/

    Em Cristo,

    ***Lucy***

    P.S. Conheci um blog com muita variedade em seu conteúdo.
    Vale a pena conferir e acessar:
    http://discipulodecrsito7.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Grato pelas palavras, minha irmã. Olharei os blogs com carinho. A Paz.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor" (Sl 122.1)

O conceito bíblico de liberdade

Qualidades essenciais do conselheiro cristão