A falácia do novo ateísmo de Dawkins

Penso que o novo ateísmo (pensando em personagens como Richard Dowkins) tem ganhado audiência em nosso tempo, devido à sensação de que ele nos oferece a tranquilidade de consciência que se precisa para se aproveitar, ao máximo, a ordem de nossos dias: “cada um na sua”; ou: “cada cabeça uma sentença.”; ainda: “não existem verdades absolutas.”; e a versão mais popular: “o que é verdade para você, pode não ser verdade para o outro.” Todas essas versões da mesma ideia, abrem um campo fértil para que, pessoas prontas a darem vazão a todos os seus sentimento, desejos e pensamentos, tenham a liberdade de faze-lo sem medos. E com a ascensão do novo ateísmo, as pessoas ganham uma saída para a última barreira que as impedia de fazerem o que queriam de consciência limpa: Deus, ou deuses.

Não é a toa que livros de ateus estão entre os Best Sellers de toda semana. Com tanta gente querendo fazer tudo que dá na telha, livrar-se da idéia de Deus é uma bela ajuda, pois somente sendo um psicopata, para não ter problemas de consciência. O ponto é que sem a idéia de um ser superior nos julgando, as pessoas se sentem à vontade para fazerem de tudo, de tudo meeesmo. Daí, o homem tem se livrar das leis morais, pois elas vem de cima, caso contrário, não tem força. Para entendermos isso, vamos nos deter na questão da lei moral.

Moralidade é a condição de que existe certo e errado, basicamente. Temos conceitos de certo e errado, do que se pode e do que não pode fazer em todas as relações de nossa vida. Em cada sociedade, isso se exprime de um modo. Em alguns lugares pode-se ter várias mulheres, comer carne humana, outros é admirável enganar, mentir, mas, percebe-se que a maioria dos conceitos morais se assemelham muito; esses casos citados são exceções. Independentemente de tudo isso, algo é comum a todos os lugares: os conceitos morais são encarados como algo sagrado. Concordemos ou não com isso, conceitos morais só tem força se forem tomados como algo transcendente ao ser humano, que está acima da vontade humana. Portanto, a moralidade pressupõe a divindade, seja ela qual for. É nesse ponto que vemos o perigo do ateísmo.

Sem a existência da divindade, nenhum conceito de certo e errado se torna norma, pois o homem passa ser sua própria medida. Sendo sua própria medida, podemos não só fazer o que quisermos, como não podemos julgar e condenar a quem quer que seja. Vislumbro, com assombro, o dia em que nossas cortes serão extintas, pois ninguém mais aceitará as normas sobre as quais tais cortes julgam. O que começou com o sonho de liberdade, ruma para o pesadelo da selvageria. Aliás, deve ser esse o objetivo, pois ao negarem a Deus, nos tornam apenas mais um animal, de modo que não há porque mantermos conceitos de moralidade visto que, tudo o que resta, é o instinto de sobrevivência e auto-satisfação. Por esse caminho, vemos que o homem se animaliza e deixa de ser humano, pois aquilo que lhe dá sentido está ausente em sua vida: Deus; mais do que isso, vemos que o homem se torna seu maior predador, acabando com as diretrizes que sustentam o convívio pacífico entre os seres humanos.

O novo ateísmo vem com ares de humanização e evolução, levando-nos a crer que abandonar a crença em Deus é sinal de racionalidade. Contudo, é o conceito de que há alguém superior que nos leva a ter limites. Limites que levaram a humanidade ser o que é. Se somos evoluídos, como diz os evolucionistas, é porque temos consciência de que nossa convivência não pode ser levada por nossos desejos e satisfações pessoais. É a consciência de certo e errado que nos faz pensar no outro, que nos leva a preservar ao invés de exterminar a concorrência; que não nos permite exterminar os filhotes de outros machos; ou que nos leva a cuidar um dos outros, ao invés de simplesmente aproveitar o convívio coletivo, como forma de desviar a atenção daqueles que nos caçam.

Perceba que tudo o que nos torna humanos nos é tirado quando perdemos as leis morais de vista. Mas isso se torna pior, pois perdemos o significado da própria vida, pois tudo perde seu valor e lugar. Sem uma lei absoluta, que deve vir de um ser absoluto, tudo se torna violável: espaço, tempo, propriedade, até a própria vida. Sem uma lei inquestionável, como impedir que pessoas concebam a ideia de que é bom, ou correto, matar, roubar, pedofilia, mentir, adulterar e etc? Sem Deus o homem passa a ser a própria medida e um fim em si mesmo, o que nos leva a uma vida sem limites e sem razão, pois não há nada a ser feito que se sustente ou tenha algum valor, pois sempre será questionável ou “desvalorizável “aos olhos dos outros.

É interessante ouvir Dawkins falar da religião como uma assassina, mas é o ateísmo que destrói a humanidade. Basta ver nossos tempos; as coisas já estão acontecendo. Há muito tempo, nossos direitos eram mais respeitados pelos vizinhos. Havia uma preocupação com o horário que se fazia barulho, com aquilo que pertencia aos outros e a vida humana tinha mais valor. À medida que as coisas forma mudando, e Deus foi perdendo seu espaço na vida das pessoas, tudo isso se tornou alvo de ataques e vemos a selvageria se instalar em nossa sociedade. Veja nações como a americana, que se formou com bases sólidas na fé. Elas se desenvolveram sobre diretrizes muitos claras de respeito pelo próximo e pelo que lhe pertence. Isso é tão importante, que é a causa direta daquela nação ser o gigante que é hoje e, interessantemente, agora que eles abandonam, passo a passo, seus princípios, se veem mergulhados em criminalidade, corrupção, crises e perda de credibilidade.

Não estou dizendo que os Estados Unidos estão deixando de ser grandes, pelo menos, não tão logo, mas a influência ateísta tem mostrado seus pés de barro. Dizer que a religião causa todos esses problemas alegados por Dawkins é o mesmo que dizer que o inventor do futebol é o culpado por todas as brigas de torcida. Segundo esse ateu, a religião matou mais pessoas que qualquer outra coisa, mas penso que esta é uma análise ingênua. Tendo em vista que praticamente toda perseguição religiosa estava ligada a questões políticas, podemos perceber que é o uso da religião pela política é que conduz à tantas mortes. Mas, se formos olhar a fundo os regimes assassinos, veremos que aqueles que negam a existência da divindade, são os que mais matam na história da humanidade, pois é parte do princípio deles o extermínio dos inimigos, enquanto os que usam a religião para tanto, o fazem por um desvio, não por um princípio religioso.

O fato é, perder a noção de que há alguém acima do homem, conduz à destruição, seja pelo ateísmo, seja pela religião. Ambos perdem Deus de vista e, portanto, o sentido da ética, da moral e dos limites. Se o homem é a medida, então, por que seguir a sua medida, ou a minha? O fato é que esse questionamento nos leva, hoje, a vermos pessoas vivendo suas formas de vida, suas verdades. Algo inimaginável há alguns anos já acontece: pedófilos defendendo abertamente suas idéias e buscando seus direitos de amar crianças. Ai, eu me pergunto: segundo que moral, ou que sistema de ideias a pedofilia é errada? Por que não defender os direitos deles e simplesmente assumir que transar com crianças é certo e pronto? Afinal, o homem é a medida, por que não seguir a medida deles?

Desta forma, sem Deus, perdemos os limites, a moral, a ética, a esperança e o significado. Tudo é questionável e sem sentido, pois tudo se torna um fim em si mesmo e com um sentido muito questionável e sem razão para outros, afinal, ninguém quer um mundo só para si. Queremos que nossas ações sirvam para alguém mais do para nós mesmos. Ter uma vida voltada para nós mesmo é algo indesejável e solitário, mas é o destino de todos que expulsam Deus de suas vidas. Só um ser supremo pode dar um sentido unificador para nossas vidas. Torná-la uma questão subjetiva é torná-la sem significado para outros, a menos que tenhamos a sorte de o outro dê o mesmo significa que nós.

Crer nesse novo ateísmo, debochado e mascarado de Dawkins é uma falácia. Uma falácia que nos leva a crer que a religião mata e o ateísmo sublima tudo. Basta uma olhadela para a humanidade, cada vez menos voltada para Deus, ainda que espiritualizada, e veremos se isso é verdade. A solidão é algo tão presente na vida das pessoas, que não é incomum vermos ser humanos tão voltados para suas verdades, sem ter com quem compartilhá-las, pois lhe são muito peculiares, sentirem-se abandonados em meio à multidão. Ninguém o entende; ninguém divide sua vida com ela; ninguém vê o mundo do modo como ela vê. Bem vindo a um mundo vazio, sem esperança, solitário e sem significado; bem vindo ao SEU mundo; bem vindo a um mundo sem Deus.

Comentários

  1. A preocupação é válida. Entendo que os dois têm razão. A religião e o ateismo são dois caminhos a serem superados. A religião como a própria palavra diz, quer religar o homem a Deus. Quando ela tiver alcançado o seu objetivo, ela não vai precisar mais existir. A própria Bíblia mostra isto. No Apocalipse 21,22 lê-se que uma vez instaurado o Reino de Deus, não se vê mais nenhum templo.
    Por outro lado, o que Dawkins defende na teoria, um ser humano livre, que não se sujeita mais a nenhuma lei imposta para levar o ser humano a um serzinho miserável, sempre exposto à exploração dos que fazem as leis (os Estados), ou dos que abusam da sua boa fé (as religiões,) Jesus Cristo desmonstrou na prática. Um ser humano absoluto, Deus,rompeu com as leis do Estado, que sempre estão explorando os mais fracos e condenou as religiões, que têm as chaves de um Reino justo, mas se limitam a explorar os mais humildes.
    Depois de dois mil anos, as coisas não mudaram. O melhor a fazer é não contentarmo-nos com o plano teórico. Está na hora dos que defendem as ideias de Jesus Cristo, o Reino dele, colocá-lo em prática.Construam um Reino de Deus em miniatura, 12 pessoas, mostrem as obras maravilhosas dessas doze pessoas. O senhor Dawkins, por sua vez, deve apresentar-nos 12 pessoas que vivem as suas ideias e estas 12 pessoas vão mostrar com as suas obras, a sua grandeza.

    ResponderExcluir
  2. Caro Alceu,

    concordo que o veneno da religiosidade tem sido a bebida de muitos, e ofertas de tantos outros. De fato, muitos restringem a visão do Reino de Deus à sua religiosidade, e acabam por não deixarem que muitos entrem no Reino, conforme nosso Senhor deixou claro aos farizeus.

    Não concordo, pelo menos não que isso estaja em todas as situações, de que nada tenha mudado em 2mil anos. Penso que grandes coisas mudaram, ainda que velhas tenham permanecido e se retravestido. Sei que você não quer dizer que "nada" mudou no sentido pleno, mas no sentido de que o cenário continua o mesmo: o fraco sendo escurraçado, e o forte se aproveitando.

    Nem o ateísmo, tão pouco a relgiosidade servem de resposta para tal situação. É por isso que penso que a volta de Cristo será algo assombroso, pois ali irá ter fim aquilo que nenhuma idéia, filosofia, estratagema, teoria, conversa para boi dormir, ou qualquer coisa que o valha, conseguiu fazer.

    Tristemente, pouco podemos confiar na igreja, mas confio na promessa de Deus que no meio desta igreja visível, está a Igreja invisível, e é por meio desta que vemos não só 12, mas multidões de pessoas que, não perfeitamente, mostram que Cristo é seu senhor e que vivem, de fato, no Reino Deus, buscando abrir portas, para que outros entrem.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

"Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor" (Sl 122.1)

Qualidades essenciais do conselheiro cristão

O conceito bíblico de liberdade