Quando o palhaço chora e a professora rebola
O Brasil sempre foi um país de
contrastes, mas o último, creio eu, até Satanás saiu corado. Vimos o Tiririca,
com nó na garganta, despedir-se da vida de parlamentar e, enquanto isso, uma
professora se agacha até o chão, lembrando os limites da coreografia sensual de
É o Tchan, para demonstrar como colocar uma camisinha com sexo oral.
Tiririca chora um país sem
educação, sem hospital e a falta de políticos que se dediquem a resolver isso. Ele
lamentou a pouca produção para tanto trabalho e dinheiro investido. Lamentou que
a casa parlamentar deste país não trabalha pelo povo. A professora, enquanto
nosso país caminha mau das pernas, demonstrou estar bem das suas. Foi até o
chão – “chão, chão, chãochãochão” – e usa um aluno para desferir um golpe certeiro
na moralidade e nos limites da educação.
Fico me perguntando: vamos rir
do palhaço que chora? Vamos chorar pela professora que foi submetida a mais
essa coisificação da mulher? Vamos todos usar a hashtag “somos todos professora
boqueteira”? Desculpe o peso da palavra, mas acho que seria por ai. Em tempos
que tanto se fala dos abusos cometidos contra as mulheres – e são mesmo – em tempos
de empoderamento feminino – para mim isso tem cara de revanchismo – em tempos
de denúncias contras abusos cometidos por poderosos do mundo do entretenimento,
me vem uma mulher e dedica seu tempo de aula a ensinar suas alunas e alunos as formas
de se colocar um preservativo. Mas é mulher, será que podemos condenar sua atitude?
Eu tenho certeza que essa
professora terá todas as suas explicações. Tenho certeza que todos pelos quais
Tiririca chorou têm suas explicações. O Brasil é o país das explicações mau
dadas e dos choros cheios de razão. Como poderíamos não ser? O palhaço sobe à
tribuna com a verdade sobre nosso país e a professora é mais uma na realidade
de um país afundado em um marxismo cultural que assola nossas instituições de
ensino, visando transformar alunos em soldados de seu movimento contra tudo que
se chama família tradicional.
Num país onde o palhaço dá aula
de cidadania e a professora faz a palhaçada digna de piada suja e censurada
para menores de 18 anos, não há mais fundamento para que se vá para frente. Sociedades
que reduzem o valor da família, transformam o sexo em algo público e escola em templos
de pensadores espúrios que desconhecem a maldade própria e só a reconhecem nos
outros, não têm fundamentos para construir caráter, amor ao próximo e justiça.
Estamos vendo aquele que deveria
fazer estripulia chorar a derrocada brasileira, e aquela que deveria chorar
nossa situação, fazendo estripulia, para chamar atenção de aluno. Universitários
ou não, alunos estão sendo expostos à questões sérias de modo esdruxulo e à
questões esdruxulas de modo sério. Fala-se da sexualidade como o assunto mais
importante do momento e a falta de assepsia nos hospitais, falta de professor
de matemática e outros como se fossem coisas corriqueiras e sem importância.
Quando o palhaço chora e a
professora rebola é que o fim já chegou. Maranata!
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