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Mostrando postagens com o rótulo Epistemologia

Pecado, queda e natureza

A realidade do pecado é dura e cruel. Todos nós somos afetados pelo desejo e pela realização do desejo de fazer o que é errado. Tal situação de vida deve-se a tentativa do homem de transpor os limites impostos por Deus. Conforme Gênesis 3 nos informa, mesmo após ter recebido a ordem de não comer da árvore do conhecimento, Adão desobedeceu e foi expulso do paraíso, passando a experimentar uma nova realidade de vida. Lembrando bem da narrativa, vemos fatos muito interessantes e pertinentes para o entendimento de nossa situação diante de Deus e das coisas. Adão fora criado por Deus para servi-lo sendo seu representante na terra. Sua tarefa era obedecer a Deus em seu mandato de como deveria ser seu relacionamento com as coisas (dominar, cultivar e guardar: Gn 1.28, 2.15), com o próximo (multiplicar, deixar pai e mãe e formar uma só carne: Gn 1.28, 2.24) e com o próprio Deus (obedecendo aos outros mandatos e não comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal: Gn 2.17). Agindo desta ...

Os termos não vêm dos termos

Vern Poythress escreveu um livro sobre a validade da multiplicidade de perspectivas – é o must! De forma sucinta ele lida com questões da linguagem e demonstra como esta revela que há uma perspectiva, tendo em vista que os termos são utilizados pelo que os utiliza a partir de seu entendimento ou arcabouço de significado. Segundo ele, há uma grande dificuldade na definição de termos, pois, em regra, eles não têm apenas um significado e, na teologia, a dificuldade vem do fato de que nenhum termo da sistemática equivale ao termo bíblico. [1] O fato é que os termos são utilizados de modo elástico nas Escrituras e de modo estrito na Sistemática. A Bíblia estabelece o sentido do termo pelo contexto, a Sistemática tem o objetivo de reproduzir um grande conteúdo com um termo. A coisa piora, ao meu ver, quando tentamos abarcar a terminologia extrabíblica, querendo enxergar conceitos e pressupostos na Escritura, advindos da filosofia, psicologia, história, sociologia e por ai vai. Um belo e...

O cinismo pós-moderno e a frustrada tentiva de Lordelo

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Michael Horton, grande autor protestante, diz no início de seu livro, Creio: “As certezas presunçosas da modernidade já se passaram; foram substituídas pelo cinismo irreprimível do pós-modernismo.” Que modo sucinto e acertado de resumir nossos tempos! Enquanto que nos tempos que marcaram a ascensão da ciência vimos a inversão epistêmica do misticismo para o racionalismo, nossos tempos marcam a consequente relativização da moralidade e da ética. Atualmente, ostenta-se a imoralidade e a completa falta de padrões. Esta é consequência de um homem liberto de Deus pela ciência. O grande problema é que a ciência só ensinou como ignorar a Deus, mas não ofereceu respostas que substituíssem as necessidades humanas por limites, disciplina, padrões e propósito. Por isso, vemos uma sociedade “Frankstein”, que mistura partes de um homem despreocupado com o pecado e a visão do Criador sobre isso, com partes de um homem que não encontrou na ciência as respostas prometidas e que retorna para a ideia de...

Celebrando a imperfeição - uma crítica à visão pós-modernista de Marcelo Gleiser

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Dia desses assisti uma entrevista com Marcelo Gleiser, físico brasileiro. Nessa oportunidade, ele falou sobre sua mudança de visão sobre a natureza. Segundo ele, é um erro buscar uma teoria que explique de modo único o universo e todas as leis da natureza. Em sua visão, as imperfeições presentes na natureza mostram a impossibilidade de que se pense em tal teoria. Para Gleiser, a natureza evolui justamente a partir das imperfeições. Na impossibilidade de se pensar numa verdade absoluta que explique todo o universo, nosso amigo entende que deveríamos desistir desta busca e ver na falta de absolutos a origem de nossa própria existência. De fato, devido à própria incapacidade da ciência de ter uma visão holística do universo, deveríamos assumir cada imperfeição do universo como uma verdade em si mesma e determinante para que, a falta de simetria resultante das imperfeições, nos leve ao presente resultado. Desta forma, a falta de simetria é a beleza da imperfeição, sendo, por isso, celebrad...

Criados para responsabildade

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Bom, estamos “nóis” ai de novo. A vida tá corrida e as responsabilidades só crescem. Estou para mudar para meu novo apartamento e a ansiedade está grande. Mas vamos para nosso ponto, que é o de vermos a consistência do fato de Deus ser o criador de tudo que existe, seja em termos físicos, conceituais, circunstanciais e espirituais, com a responsabilidade humana. Esse ponto logo emerge quando buscamos estabelecer uma epistemologia pautada numa realidade criada. A pergunta é óbvia: “se tudo é criado por Deus, então, onde está nossa responsabilidade?” O problema nesses casos está justamente em vermos o conceito de responsabilidade do Criador, ao invés do nosso. Para nós, responsabilidade está ligada à possibilidade de se fazer diferente daquilo que escolhemos; de outra forma, responsabiliza-se a pessoa que tinha duas possibilidades diante de si e a liberdade de autonomia de poder escolher entre essas duas opções. Contudo, essa visão carece de uma avaliação cuidadosa. Vamos pensar em como...

Criados para o Criador

Como escrevi na última postagem, vamos tratar sobre as implicações epistemológica para a teotelologia do universo. De fato, o que iremos trabalhar é quais são as consequências para nosso entendimento do propósito da criação, diante do fato de que tudo é criado. Além de entendermos que Deus estabeleceu cada aspecto da existência de tudo o que há, temos como consequência que tudo que foi criado o foi para satisfazer seu criador. O que tem de ficar claro é que o Senhor criou para si. Não podemos pensar que alguém se dedicaria tanto no estabelecimento de um plano e na execução de tudo que está ligado a ele, se não fosse para sua satisfação. Diferentemente do que muitos podem pensar, entender que estamos num mundo criado é entender que este mundo, totalmente estabelecido e controlado por aquele que o criou – justamente por isso é que ele o controla – é entender que tudo isso é voltado para seu criador. Unindo as duas idéias, podemos ver que, ao estabelecer cada ser que há na criação, in...